Desafios na implementação da inteligência artificial nas empresas
Executivos da Hitachi Vantara identificam três pilares que mais preocupam na adoção da inteligência artificial (IA) nas organizações: estruturação de dados, governança e infraestrutura. Essas áreas são consideradas essenciais para evitar a exposição a riscos, especialmente desde que a IA generativa ganhou destaque e trouxe um novo nível de complexidade à cibersegurança corporativa. A falta desses elementos pode agravar vulnerabilidades, principalmente com a chegada dos agentes de IA.
Shane Gibson, especialista técnico sênior para as Américas na Hitachi Vantara, alerta que “a implementação de agentes de IA pode gerar consequências não intencionais se não houver monitoramento constante”. Segundo ele, ainda há muita confusão sobre o funcionamento dessas ferramentas, o que contribui para riscos adicionais no ambiente tecnológico.
O impacto das expectativas e uso acelerado da IA
Segundo o relatório global da empresa, muitas organizações têm depositado confiança excessiva nos resultados gerados pela IA, acelerando a adoção sem a devida cautela. Essa pressa pode criar brechas e fragilidades nos sistemas, ampliando as vulnerabilidades. Um dado que chama atenção é que cerca de 91% dos agentes de IA ainda apresentam o fenômeno conhecido como “alucinação”, quando a tecnologia gera informações incorretas ou sem base concreta.
Além disso, 76% dos dados corporativos são não estruturados, justamente o tipo mais explorado pelas aplicações de IA, o que torna o desafio maior para garantir a segurança e a governança adequadas.
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Contexto brasileiro: adoção conservadora e cautelosa
No Brasil, a realidade se apresenta diferente. O país passa por um processo acelerado de digitalização, mas muitas vezes ainda depende de sistemas legados e ambientes tecnológicos heterogêneos. Os executivos brasileiros, segundo a Hitachi Vantara, adotam uma postura mais conservadora diante da IA, avaliando cuidadosamente os investimentos antes de avançar.
Joshua Wick, líder global de riscos e compliance da empresa, observa que “os executivos no Brasil preferem uma due diligence aprofundada antes de investir em IA”. Essa cautela reflete uma apreensão em relação ao retorno financeiro inicial e aos riscos associados, o que, para os especialistas, é positivo, pois evita a implementação precipitada de soluções.
Educação e capacitação como caminhos para reduzir riscos
Para mitigar as ameaças e trazer mais estrutura à adoção da IA, os executivos destacam a importância da educação dos usuários. Compreender exatamente como a tecnologia funciona e quais são as consequências de seu uso é fundamental para o sucesso dos projetos. Shane Gibson ressalta que essa capacitação demanda tempo e planejamento, aspectos frequentemente negligenciados pelas organizações.
Ele reforça que “é necessário saber o que se espera da IA, conhecer seus riscos e evitar pressa na implantação. Testes prévios e consciência sobre o impacto são essenciais para um uso seguro e eficiente”.
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Segurança de dados assume protagonismo nas estratégias corporativas
O relatório aponta que a segurança de dados tornou-se a principal preocupação das lideranças na implementação da IA, com 56% dos executivos destacando o tema como o maior desafio, um crescimento de 19 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Esse cenário tem influenciado diretamente o uso dos modelos de linguagem de grande escala (LLMs).
Ferramentas de IA generativa, como ChatGPT e Copilot, tiveram uma queda na taxa de sucesso percebida, passando de 95% para 81%. Paralelamente, aumentam os investimentos em governança e qualidade dos dados. O número de empresas que aprimoram os dados para treinamento subiu de 39% para 49%, enquanto a adoção de frameworks avançados de governança avançou de 32% para 45%. Auditorias regulares de desempenho também cresceram, de 36% para 44%, e o percentual de organizações sem estratégia de explicabilidade caiu de 42% para 24%.
O futuro da IA exige equilíbrio entre inovação e segurança
Apesar das críticas, os especialistas reforçam que governança e segurança não devem impedir o avanço tecnológico, mas sim garantir que a inovação ocorra de forma segura e estruturada. Shane Gibson acredita que “no futuro, teremos interfaces únicas para solicitar resultados à IA, mas para isso é fundamental que as organizações se preparem adequadamente”.
Joshua Wick complementa que a cautela e a análise cuidadosa são essenciais para aproveitar o potencial da IA sem expor os negócios a riscos desnecessários. O foco está em equilibrar o entusiasmo com a tecnologia e a responsabilidade na sua aplicação, garantindo benefícios reais e duradouros para as empresas.
