Impacto da Ciência e Tecnologia Além dos Muros da Escola
Estudantes de Pernambuco estão entre os semifinalistas do programa global Solve for Tomorrow Brasil, iniciativa da Samsung que estimula jovens a criarem soluções práticas usando ciência, tecnologia, engenharia e matemática para problemas reais nas comunidades. Na 13ª edição do programa, 11 das 30 equipes semifinalistas vêm de escolas públicas do Nordeste, destacando a força da inovação na região.
Em Pernambuco, três escolas públicas se sobressaem: a Escola de Referência em Ensino Médio (EREM) Gil Rodrigues, em Vertentes; a Escola Técnica Estadual (ETE) Professor Paulo Freire, em Carnaíba; e a EREM Aura Sampaio Parente Muniz, em Salgueiro. Seus projetos abordam desafios locais como combate ao Aedes aegypti, saneamento básico, tratamento de água e reaproveitamento de resíduos, mostrando como a aplicação da STEM pode transformar o cotidiano.
Mentoria Especializada para Aprimorar Soluções
Os semifinalistas recebem mentoria baseada na abordagem STEM, que ajuda estudantes e professores a desenvolverem protótipos mais eficientes e a identificarem oportunidades e limitações em seus projetos. “A mentoria amplia as possibilidades de aprendizagem e é conduzida por profissionais experientes em metodologia científica”, explica Beatriz Cortese, diretora executiva do Cenpec, parceira do programa.
Transformando Resíduo Agroindustrial em Produto Sustentável
Na EREM Gil Rodrigues, alunos criaram o projeto “Pavers Sustentáveis a partir da Casca de Castanha de Caju”, que transforma um resíduo agroindustrial em blocos para pavimentação. Orientados pelo professor João Paulo, Ana Clara Tomás Bezerra, Jarson Gabriel da Silva Vieira e João Ryan Andrade Deniz desenvolvem uma alternativa econômica e ambientalmente viável para calçadas e espaços comunitários.
Leia também: Economia em 2027: o desafio da dívida pública e o caminho para o desenvolvimento sustentável
Fonte: aquiribeirao.com.br
Leia também: Contratada do governo do DF pagou R$ 1,4 milhão à empresa de família de Celina Leão
Fonte: soudejuazeiro.com.br
O descarte irregular da casca da castanha provoca contaminação do solo, problema que motivou o grupo a elaborar até um projeto de lei, enviado à Câmara Municipal de Vertentes, para validar a proposta e buscar apoio governamental para sua implementação. “A ciência e a tecnologia oferecem uma solução para preservar uma cultura que emprega cerca de 2 mil pessoas na região”, destaca João Paulo.
A estudante Ana Clara comenta que o projeto ampliou seu olhar para a sustentabilidade e para as problemáticas locais. “Participar desse projeto foi especial, porque une química, biologia e impacto social”, conta, ressaltando o interesse da comunidade em entender os riscos do resíduo da castanha.
Pastilha Bioindicadora para Avaliar a Qualidade da Água no Sertão
Na ETE Professor Paulo Freire, em Carnaíba, o projeto “Sertanino: Uma solução natural para um direito essencial” desenvolve uma pastilha bioindicadora com extratos das plantas nativas jurema-preta e catingueira. A pastilha muda de cor ao entrar em contato com água contaminada, oferecendo uma alternativa acessível para comunidades rurais distantes de laboratórios.
Matheus Gonçalves Lacerda, um dos estudantes envolvidos, destaca o alto custo das pastilhas disponíveis no mercado e a importância de uma solução regional de baixo custo. A iniciativa tem potencial para melhorar a qualidade de vida e empoderar a população local, que enfrenta desafios no acesso a recursos laboratoriais para análises de água.
O professor Gustavo Bezerra ressalta que o apoio governamental é fundamental para avançar nas pesquisas, pois o laboratório da escola não dispõe de todos os equipamentos necessários para validação completa do projeto. “Ficamos limitados por falta de recursos e parcerias”, afirma.
Combate ao Aedes aegypti com Inteligência Artificial e Recursos Naturais
Em Salgueiro, estudantes da EREM Aura Sampaio Parente Muniz desenvolveram o projeto “Bioinovação e IA no Controle Sustentável do Aedes aegypti”, que integra armadilhas inteligentes, larvicidas naturais a partir de plantas da Caatinga, georreferenciamento e inteligência artificial para monitorar e combater o mosquito transmissor da dengue.
João Adailton Rocha Leite Filho explica que a equipe buscou soluções naturais e sustentáveis para minimizar o impacto ambiental e ampliar a eficácia do controle do vetor. A mentoria tem permitido incorporar tecnologias como sensores e placas Arduino para aprimorar o monitoramento. A participação ativa da comunidade escolar e parcerias locais, como com o Instituto Federal e a Vigilância Epidemiológica, fortalecem a iniciativa.
Esses projetos refletem como a educação pública e a ciência aplicada podem gerar respostas concretas para problemas locais, valorizando o conhecimento regional e promovendo impacto social. A próxima etapa do programa segue até 2 de outubro, com expectativa de avanços nas soluções desenvolvidas.
