Reconhecimento ao Patrimônio Histórico
A antiga Casa de Detenção do Recife, hoje conhecida como Casa da Cultura de Pernambuco, recebeu uma importante distinção: o tombamento definitivo pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A decisão foi tomada durante a 114ª Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, realizada em 23 de setembro. Com o tombamento, o edifício será inscrito nos Livros do Tombo Histórico e de Belas Artes, valorizando sua relevância tanto para a história penal brasileira quanto para a arquitetura do século 19.
Arquitetura e História Preservadas
Localizada às margens do Rio Capibaribe, no bairro de Santo Antônio, a Casa da Cultura ocupa um prédio que, por mais de 100 anos, teve função prisional. Construído para ser a Casa de Detenção do Recife, o imóvel funcionou como prisão de 1855 até 1973. Projetado pelo engenheiro Mamede Ferreira, o prédio segue o modelo “panóptico radiante”, inspirado no Sistema da Pensilvânia. Essa concepção arquitetônica permite a vigilância das celas a partir de um pátio central, com corredores e alas dispostas em raios a partir do centro.
Esse formato é um dos fatores que tornam a edificação única. Além de representar o classicismo imperial, a antiga prisão é um dos exemplares mais importantes da arquitetura penitenciária do século 19 no Brasil. Sua planta radial panóptica está entre as poucas remanescentes desse tipo na América do Sul.
Leia também: Ministério da Cultura amplia investimento de R$ 202 mil para preservar patrimônio histórico em Pernambuco
Leia também: Festival Pernambuco Meu País em Arcoverde: Circo, Música e Cultura Popular em Destaque
Memória e Reflexão sobre o Passado
Mais do que arquitetura, o imóvel carrega memórias sobre as práticas de coerção e controle social exercidas pelo Estado nos séculos 19 e 20. A estrutura foi pensada para disciplinar os presos por meio da vigilância constante, configurando uma “arquitetura da dor” marcada pela punição e pela exclusão social.
Na reunião do Iphan, a conselheira Natália Vieira ressaltou a importância de dar visibilidade a essas memórias sensíveis, destacando o papel da Casa de Detenção enquanto espaço de controle social e prisão política, especialmente durante o século 20.
Ao longo desse período, o local esteve ligado a episódios históricos como o cangaço, os movimentos anarquista e comunista, a Revolução de 1930, o Estado Novo e a ditadura civil-militar pós-1964. Entre os presos estiveram figuras como o cangaceiro Antônio Silvino, o advogado João Duarte Dantas, o militante Gregório Bezerra e o sociólogo Gilberto de Freyre.
Nova Vida Cultural
Desativada como prisão em 1973, a antiga Casa de Detenção ganhou um novo uso ao se transformar na Casa da Cultura de Pernambuco. Hoje, o espaço é um importante equipamento cultural e comercial do Recife, preservando em sua arquitetura as marcas dos diversos momentos históricos que viveu. Essa nova função coloca o imóvel como um ponto de encontro para a circulação artística, a memória e a reflexão sobre o passado, acessível ao público local e visitantes.
