Exposição Sertão Mundo reabre com proposta multidisciplinar
A reabertura da exposição Sertão Mundo, no Espaço do Conhecimento da UFMG, é um dos destaques da programação do 58º Festival de Inverno nesta quinta-feira, 16. A mostra estará aberta ao público a partir das 14h e convida os visitantes a percorrer diversas interpretações do sertão – sejam geográficas, simbólicas ou imaginárias – por meio de linguagens como música, bordados, dança, culinária, artes visuais, sonoridades e palavras.
Concebida a partir do universo literário de João Guimarães Rosa e das múltiplas formas como o sertão é representado nas artes, cultura e literatura, a exposição ressalta como temas universais como amor, medo, sentido da vida e dúvida atravessam fronteiras e dialogam com diferentes culturas e territórios, conforme divulgado pelos organizadores.
Curadoria e diálogo entre arte, literatura e território
Um bate-papo reúne os curadores Claudia Campos Soares (Faculdade de Letras da UFMG), Dânia Lima (arquitetura e expografia do Espaço do Conhecimento UFMG), Diomira Cici Faria (Instituto de Geociências da UFMG) e Maurício Gino (Escola de Belas Artes da UFMG) para discutir o processo curatorial, os desdobramentos do projeto e as conexões entre arte, literatura e território, aprofundando a experiência da exposição.
Apresentação artística híbrida e projeções visuais
Às 15h, no quinto andar do museu, ocorre Corda tênue – melodias e texturas de um ser tão limiar, uma experiência de arte contemporânea que combina música instrumental, bordado livre e performance. O repertório autoral dos músicos Alexandre Moraes (violão) e Vitor Caffaro (sanfona) dialoga com o sertão, utilizando o bordado e a performance para criar cartografias visuais e de movimento, propondo uma forma singular de vivenciar as travessias do sertão.
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Além das composições musicais, a apresentação incorpora a palavra de Guimarães Rosa, explorando suas polaridades entre memória, causos e reflexões. A performance é híbrida e envolve duo instrumental, instalação visual e intervenção cênica, onde instrumentos, bordados e a presença da atriz se entrelaçam para dar vida à narrativa.
No final da tarde, a partir das 18h, a fachada digital do Espaço do Conhecimento será iluminada com projeções de seis obras visuais que dialogam com a temática do sertão e sua diversidade cultural.
Homenagem musical ao Clube da Esquina no Conservatório UFMG
Às 19h30, o Conservatório UFMG recebe os músicos Bárbara Barcellos e Enéias Xavier para um espetáculo intimista que recria a atmosfera poética e musical do Clube da Esquina. Enéias transita entre piano e violão, enquanto Bárbara conduz violão, percussão e voz, compartilhando memórias e experiências que marcaram uma geração que transformou a música brasileira.
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Mais do que interpretar canções, eles traduzem a essência do movimento em sons e emoções, celebrando a obra e a influência do Clube da Esquina em diferentes gerações. Bárbara, criada em família de músicos, tem trajetória marcada por parcerias com nomes como Milton Nascimento e Toninho Horta, e desenvolve projetos autorais que unem música, poesia e tradição. Enéias, multi-instrumentista e produtor com mais de 30 anos de carreira, colaborou com diversos artistas do Clube e atua como educador na escola Bituca.
Encerramento com espetáculo teatral no Centro Cultural UFMG
Para fechar a programação do dia, às 20h, o auditório do Centro Cultural UFMG recebe o espetáculo Haicais para Diadorim – para os amantes tornados invisíveis. Esta pesquisa cênica investiga possibilidades contemporâneas de dramaturgia ao unir a literatura de João Guimarães Rosa, a poética do haicai japonês, o texto de Carlos Viegas e a pesquisa de Rita Clemente.
O projeto propõe uma experiência cultural polifônica que aproxima o sertão brasileiro do pensamento oriental, criando um diálogo entre essas referências culturais. Os ingressos para a apresentação já estão esgotados, demonstrando o interesse pela proposta que une literatura e teatro em um contexto de experimentação estética e cultural.
