Os Riscos das canetas emagrecedoras
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está analisando uma nova normativa que revisa procedimentos e requisitos técnicos referentes aos agonistas do receptor GLP-1, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras. O uso destas canetas, que incluem substâncias como semaglutida, tirzepatida e liraglutida, vem crescendo de forma alarmante, levando à sua utilização indiscriminada e à criação de um mercado ilegal. Atualmente, esses medicamentos devem ser comprados apenas com receita médica.
Em resposta aos riscos à saúde pública, a Anvisa está implementando medidas rigorosas para combater o comércio ilegal, que inclui produtos manipulados sem autorização. A agência formou grupos de trabalho com o intuito de garantir o controle sanitário e a segurança dos pacientes que utilizam esses medicamentos.
Recentemente, a Anvisa se uniu ao Conselho Federal de Medicina (CFM), ao Conselho Federal de Odontologia (CFO) e ao Conselho Federal de Farmácia (CFF) para assinar um termo de compromisso que visa promover o uso seguro e consciente das canetas emagrecedoras. O foco da proposta é prevenir riscos à saúde associados a produtos e práticas irregulares.
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Em entrevista à Agência Brasil, Neuton Dornelas, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), destacou que, apesar de essas canetas representarem um avanço considerável no tratamento da obesidade e do diabetes, o uso descontrolado é motivo de preocupação. Ele enfatizou que os medicamentos são eficazes e oferecem uma nova esperança para muitos pacientes, no entanto, devem ser utilizados sob orientação médica.
Dornelas também comentou sobre um levantamento da Anvisa que revelou a importação de insumos para a manipulação das canetas emagrecedoras, indicando uma discrepância com a demanda do mercado nacional. No segundo semestre de 2025, foram trazidos mais de 100 quilos de insumos, suficientes para produzir cerca de 20 milhões de doses. Além disso, a Anvisa apreendeu 1,3 milhão de medicamentos com algum tipo de irregularidade, o que é alarmante.
Bloqueio da Manipulação e Segurança do Paciente
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Dornelas apoiou a decisão da Anvisa de exigir que farmácias e drogarias retenham as receitas de canetas emagrecedoras desde junho de 2022. Ele argumentou que o uso excessivo dessas substâncias é impulsionado pelo mercado paralelo. Diante do cenário atual, sugeriu que a Anvisa considere um bloqueio temporário à manipulação dessas drogas para garantir a segurança dos usuários.
“Com a quantidade de medicamentos disponíveis, a Anvisa não possui recursos suficientes para fiscalizar adequadamente. Um bloqueio temporário poderia proporcionar a estrutura necessária para lidar com esta situação crítica”, ressaltou.
Benefícios e Efeitos Colaterais
Sobre os benefícios das canetas emagrecedoras, Dornelas explicou que esses medicamentos atuam de três formas principais: controlando a glicose, retardando o esvaziamento gástrico e suprimindo o apetite. Com isso, proporcionam uma diminuição na ingestão alimentar e, consequentemente, uma perda de peso significativa. A semaglutida pode levar a uma redução média de 15% do peso corporal, enquanto a tirzepatida pode alcançar entre 22% e 25%, dependendo de diversos fatores, como dose e acompanhamento profissional.
Entretanto, o médico advertiu que o uso indiscriminado pode resultar em efeitos colaterais, sendo os mais comuns náuseas e vômitos. A Anvisa já identificou efeitos adversos mais graves, como pancreatite, que pode ocorrer devido ao retardo do esvaziamento gástrico, afetando a vesícula biliar e aumentando o risco de formação de cálculos.
Dornelas elencou quatro pilares essenciais para a segurança no uso dessas medicações: garantir que o produto é legal e seguro, ter prescrição médica adequada, saber a procedência da compra e seguir as doses recomendadas. “Cerca de 30% a 40% dos pacientes podem sentir náuseas, mas é importante ressaltar que a ausência de efeitos colaterais graves é um sinal positivo”, concluiu.
