Desafios do Turismo Cubano
O sol brilha forte em Havana quando um grupo de turistas desce apressadamente de um pequeno ônibus, ansioso para registrar a beleza dos carros clássicos que circulam na cidade. Munidos de câmeras, os visitantes se apressam em tirar algumas selfies antes de seguir adiante, deixando para trás motoristas que, esperançosos, aguardam pela oportunidade de conquistar um cliente. Essa cena, que poderia ser uma lembrança alegre de um passado recente, revela a triste realidade do turismo em Cuba, que enfrenta uma queda vertiginosa em seus índices de visitantes.
A ilha, que já foi um destino vibrante, vê o número de turistas estrangeiros despencar em quase 70% desde 2018. O turismo, que durante quase duas décadas teve um fluxo constante de visitantes, encontrou barreiras intransponíveis com a pandemia de Covid-19, os frequentes apagões que assolam o país e o endurecimento das sanções impostas pelos Estados Unidos.
Atualmente, os cubanos que dependem do turismo enfrentam dificuldades extremas, em meio a uma previsão de crise econômica profunda, especialmente após a interrupção dos envios de petróleo da Venezuela. Para piorar a situação, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, anunciou a suspensão temporária do abastecimento de petróleo para a ilha, complicando ainda mais a situação.
Rosbel Figueredo Ricardo, um ambulante de 30 anos, exemplifica o drama vivenciado por muitos. Ele comercializa o popular ‘chivirico’, uma iguaria cubana feita de massa frita e polvilhada com açúcar. Antes, ele conseguia vender todos os 150 pacotes que carregava em sua bandeja ao longo do dia, mas agora, enfrenta uma dura realidade: vende, no máximo, 50 pacotes e, em dias difíceis, pode voltar para casa sem uma única venda. ‘Sou técnico em mecânica industrial de nível médio, mas, veja onde estou’, desabafou Figueredo, pai de três filhos, com um quarto a caminho.
No intuito de impulsionar suas vendas, ele se dirige frequentemente à embaixada da Espanha, onde muitos cubanos se aglomeram à espera de vistos para deixar o país, na esperança de que eles se interessem por seus chiviricos.
A Queda do Turismo e Suas Consequências
Historicamente, o turismo em Cuba gerou cerca de US$ 3 bilhões anualmente, atraindo visitantes que se encantavam com os carros antigos, passeios pelo famoso Malecón e a animada atmosfera dos restaurantes locais. Entretanto, a situação atual é alarmante: enquanto cerca de 1,6 milhão de turistas visitaram a Cuba de janeiro a novembro de 2025, esse número é irrisório comparado aos 4,8 milhões que desembarcaram na ilha em 2018 e 4,2 milhões em 2019, antes do colapso causado pela pandemia.
O tradicional Malecón, normalmente repleto de turistas, agora é mais frequentado por casais cubanos e pescadores à procura de alimento. Restaurantes que antes fervilhavam de atividade agora se veem com mesas vazias, refletindo a crise que assola o setor.
A insegurança causada pelo aumento das tensões entre os Estados Unidos e Cuba, a escassez de água e energia, e o acúmulo de lixo nas áreas turísticas, tem afastado os visitantes. Para os cubanos, essa queda drástica no turismo é particularmente dolorosa; os dados governamentais indicam que as sanções dos EUA resultaram em uma perda de quase US$ 8 bilhões em receita entre março de 2024 e fevereiro de 2025, um aumento de quase 50% em comparação com o período anterior, acentuando a gravidade da situação.
Enquanto a ilha enfrenta esses desafios, muitos se perguntam quando—ou se—Cuba conseguirá recuperar seu lugar como um destino turístico atraente, vital tanto para a economia local quanto para a sobrevivência de seus habitantes. A pressão externa, combinada com as dificuldades internas, molda um futuro incerto para a nação caribenha.
