Turismo Náutico e Religioso: Vetores de Desenvolvimento na Bahia
O turismo náutico na Baía de Todos os Santos e o turismo religioso estão interligados desde os anos 1500. Essa conexão foi destacada por Pedro Costa, presidente da Câmara Brasileira de Turismo (CBTUR), durante o 2º Fórum Náutico, ao mediar o painel “Turismo Náutico e Religioso como Vetores de Desenvolvimento Regional”. O debate reuniu especialistas que discutiram como essas modalidades podem impulsionar o crescimento econômico da Bahia.
Experiência Internacional e Aplicações Locais
Nava Castro, ex-secretária de Turismo da Galícia, apresentou o case do Caminho de Santiago de Compostela como exemplo para Salvador. Segundo ela, em uma década a atividade turística da região europeia dobrou, com o número de peregrinos crescendo de 9.764 em 1992 para 530 mil em 2025. O sucesso veio da valorização dos atrativos existentes e da criação de planos voltados para o turismo. Um destaque foi a utilização dos 1.400 km do caminho litorâneo para criar uma rota marítima, dividida em 52 etapas, que se tornou um produto turístico inovador.
Crescimento do Turismo na Bahia e Dados Relevantes
Dados apresentados por Edicarlos Moreira, do Sebrae, e Muriel Freitas, da Secretaria de Cultura e Turismo (Secult), reforçam a importância desses segmentos para a economia baiana. Em janeiro de 2026, Salvador registrou 109.820 chegadas de visitantes internacionais. O turismo religioso, especificamente, teve um crescimento de 11%, segundo Muriel. Ela destacou ainda que esse tipo de turismo estimula uma maior permanência dos visitantes na cidade. Mundialmente, o turismo religioso movimenta US$ 20 milhões por ano, enquanto no Brasil o valor chega a R$ 18 milhões, mesmo durante a baixa estação.
Potencial Religioso da Bahia e Investimentos em Turismo
A Bahia se destaca por seus atrativos ligados à religiosidade, como o complexo em torno da Santa Dulce dos Pobres, além das igrejas Conceição da Praia e Bonfim e o rico acervo barroco. O secretário Maurício Bacelar enfatizou que o estado pode explorar mais de 50 segmentos turísticos sem depender da alta estação. Prova disso foi a ocupação hoteleira superior a 60% em julho, período de inverno. Para manter esse ritmo, foram investidos mais de R$ 22 milhões em capacitação, beneficiando mais de 20 mil trabalhadores, incluindo baianas de acarajé. Também há investimentos em aeroportos de cidades com potencial religioso, como Bom Jesus da Lapa e Senhor do Bonfim, para fortalecer o turismo na região.
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