A festa que transforma Bilbao
A Semana Grande, conhecida localmente como Aste Nagúsia, chegou ao fim neste domingo, consolidando-se como um dos maiores eventos populares da região. Com um público estimado em 2 milhões de pessoas, os nove dias de festa movimentaram a capital basca, reunindo moradores e visitantes em uma celebração intensa, marcada pela diversidade cultural e musical.
O símbolo tradicional da festa, a boneca Marigaia, foi novamente protagonista ao ser queimada, encerrando o ciclo até seu retorno previsto para 2027. A queima da Marigaia representa a renovação e o ritual que mantém viva a tradição da Semana Grande, um momento aguardado por todos os participantes.
Uma experiência musical e cultural
Nos quatro dias em que participei, o que mais chamou atenção foi a variedade de estilos musicais e manifestações artísticas. Desde a abertura, com a melança que envolve farinha de trigo e ovos, até noites dedicadas ao rock, à música latina e à batucada com samba-reggae, a programação abraçou ritmos diversos, trazendo um panorama sonoro e cultural muito rico para o público.
O Festival de Blues realizado na Praça do Arenal reforçou a vocação musical da cidade, enquanto o espetáculo La cuisine de ma cousine, apresentado no majestoso Teatro Arriaga, chamou atenção pela combinação de teatro, gastronomia e tecnologia, com atores interagindo com o público e vídeos incorporados ao cenário.
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Além da música e das artes cênicas, a festa ofereceu espaços para confraternização e lazer, com barracas que se destacaram pela qualidade e atmosfera, como a Moskotarrak, considerada a campeã da festa, além da Pinlinpauxa e Kaixo, que conquistaram o público com seus estilos próprios.
Desafios urbanos e segurança durante a festa
Com o aumento do público, alguns desafios também se apresentaram. No sábado, dia da “grand finalle”, o Arenal ficou lotado a ponto de dificultar a circulação, principalmente próximo às barracas às margens do Rio Nervión. O intenso consumo de bebidas alcoólicas contribuiu para episódios de desordem, incluindo furtos, confrontos com a Polícia Basca (Ertzaintza) e problemas de higiene pública.
Segundo informações do portal DEIA, a polícia prendeu 14 pessoas, entre elas cinco menores de idade, por perturbação da ordem em duas ocasiões distintas. Em um dos episódios, cerca de 200 pessoas atacaram os agentes com garrafas e outros objetos, ferindo vários policiais. A resposta da polícia incluiu o uso de equipamentos antimotim para controlar a situação.
Esses incidentes ocorreram por volta das 5h20 da manhã, após uma briga no bairro de Abando, área central de Bilbao. A Ertzaintza reforçou a necessidade de policiamento ostensivo em pontos estratégicos, como a Praça do Gás, a RIPA, o Arenal e as estações do metrô, para evitar furtos e garantir a segurança dos foliões.
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Fonte: vitoriadabahia.com.br
Apesar dos contratempos, a sensação geral é de que a Semana Grande mantém uma atmosfera mais tranquila quando comparada a grandes carnavais brasileiros, como o de Salvador, que utiliza cerca de 30 mil policiais. A experiência pessoal do autor, protegido e atento, reforça a ideia de que a festa é, em sua essência, um momento de celebração cultural e convivência.
Histórias e memórias que ficam
Além da festa em si, a vivência em Bilbao foi marcada por encontros e experiências que enriquecem a compreensão do evento. A hospitalidade familiar, com a participação da nora Vitória Giovanini e da mãe dela, Paula Giovanini, que também desfrutou e dançou bastante, acrescentou um toque pessoal à cobertura.
O interesse pela música latina, especialmente os ritmos colombianos com seus metais, congas e chocalhos, foi uma constante durante a festa, reforçando a conexão cultural entre as Américas e a Europa. Essa diversidade sonora e a participação ativa do público evidenciam a importância da Semana Grande como espaço de circulação artística e cultural.
A despedida de Bilbao traz a promessa de retorno, com planos para que a festa se repita em 2027, acompanhada do tradicional recomeço com a boneca Marigaia. Enquanto isso, o público pode se preparar para mais dias repletos de música, dança e celebração, que fazem da Semana Grande um evento singular no calendário cultural basco e internacional.
