Projeto Engenhoka chega a Salvador com foco em robótica e artes
A Escola Municipal Amélia Rodrigues, no bairro Tororó, em Salvador, inaugurou o Projeto Engenhoka nesta sexta-feira (28), às 14h. A iniciativa do Instituto Burburinho Cultural destina-se a oferecer atividades de robótica educacional combinadas com artes visuais para alunos do 6º ao 9º ano da rede pública. Ao todo, 60 estudantes participaram da formação que visa estimular a criatividade, o raciocínio lógico e a concentração, além de ampliar o acesso às tecnologias e às expressões artísticas.
Estúdio maker e equipamentos tecnológicos na escola
As aulas, com carga horária total de 40 horas, aconteceram em um estúdio maker montado dentro da própria escola. O espaço foi equipado para que os alunos tivessem contato direto com ferramentas tecnológicas essenciais para o aprendizado prático. Entre os recursos disponíveis estavam quatro tablets, uma impressora 3D, uma televisão de 60 polegadas, um notebook para o instrutor, canetas 3D e materiais para atividades artísticas.
Expansão do projeto e metodologia multidisciplinar
Em sua terceira temporada, o Engenhoka alcança o Nordeste pela primeira vez, entregando seu 20º estúdio maker. As atividades são realizadas no contraturno escolar com uma frequência de três horas semanais. A presidente do Instituto Burburinho Cultural, Priscila Seixas, explica que o projeto vai além da simples construção de robôs, aproximando os estudantes da arte e da tecnologia de forma integrada.
“Para construir um robô, é necessário criar uma escultura, uma obra. Os alunos conhecem a história da arte, exploram referências como Van Gogh e desenvolvem projetos como o pássaro autômato, que unem tecnologia e arte na construção dos robôs”, detalha Priscila.
Inclusão tecnológica e impacto social na educação básica
Priscila também destaca a importância de ampliar o acesso à tecnologia desde a educação básica para reduzir desigualdades sociais. “Consumimos muita tecnologia, mas quantos jovens realmente operam e produzem esses recursos? A tecnologia pode ser um elemento de segregação social”, afirma.
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O projeto busca apresentar a tecnologia como uma ferramenta de aprendizado e criação, deixando de lado a visão negativa que muitas vezes a envolve. “Queremos deixar um legado físico e material na escola, além de abrir possibilidades para pensar futuros e integrar a tecnologia como ferramenta na educação pública“, acrescenta a presidente do instituto.
Como funciona a formação e a integração entre ciência e arte
O Engenhoka utiliza uma metodologia multidisciplinar que reúne conhecimentos científicos e artísticos. Durante as oficinas, os estudantes aprendem conceitos de robótica enquanto desenvolvem atividades relacionadas às artes visuais. As aulas são divididas em cinco módulos conduzidos por instrutores e monitores, e cada aluno recebe um kit maker com materiais para as atividades.
Ao longo do curso, os estudantes são incentivados a criar robôs e objetos inspirados na história da arte, conectando diversas áreas do conhecimento para gerar novas ideias e projetos.
Legado para a escola e continuidade dos recursos
Além da formação, um dos principais resultados do projeto é a permanência da estrutura na escola. Ao término das atividades, todos os equipamentos e mobiliário do estúdio maker serão doados para a Escola Municipal Amélia Rodrigues, garantindo que os recursos continuem disponíveis para futuras turmas.
Expectativa da comunidade escolar e depoimentos dos alunos
A diretora da escola, Cátia Machado, revela que a comunidade escolar aguardava ansiosamente a chegada do Engenhoka. “Desde que souberam do projeto, os alunos demonstraram muito interesse por tecnologia e robótica. Será uma experiência maravilhosa”, comenta.
Entre os estudantes participantes, Maria Eduarda Bastos Couto, de 13 anos, do 6º ano, expressa sua ansiedade para conhecer novas tecnologias. “Nunca fiz nada relacionado a robótica, então estou muito animada”, conta.
Rebeca Souza Santos, de 12 anos, também do 6º ano, destaca a impressora 3D como o equipamento que mais despertou sua curiosidade. “Ouvi falar muito bem dela e quero testar logo. Pretendo criar uma caixinha de porta-lápis para pintar”, revela.
Expansão nacional e atuação do Instituto Burburinho Cultural
Com o início das atividades em Salvador, o Projeto Engenhoka amplia sua presença para diversas regiões do Brasil. Atualmente, o programa conta com polos educacionais no Rio de Janeiro, Paraná, São Paulo e Bahia, atendendo estudantes da rede pública.
Fundado no Rio de Janeiro, o Instituto Burburinho Cultural está completando 20 anos em 2026. A organização iniciou como produtora e evoluiu para instituto que desenvolve projetos ligados a políticas públicas e cultura. Além do Engenhoka, mantém iniciativas voltadas a diferentes públicos, como o Lab 60+, para a terceira idade, e programas que promovem diversidade e cultura.
