Propostas tecnológicas na disputa pelo governo da Bahia
As eleições 2026 na Bahia atraem atenção nacional, pois o estado é o mais populoso do Nordeste, com mais de 14 milhões de habitantes distribuídos em 417 municípios — o quarto maior em número de cidades no país. Além disso, possui o maior Produto Interno Bruto (PIB) da região. Neste cenário, o TecMundo apresenta um panorama detalhado das propostas dos candidatos ao governo sobre inteligência artificial, ciência, soberania digital, regulação e investimento em tecnologia.
ACM Neto e o plano “Mudança com Segurança”
ACM Neto, ex-prefeito de Salvador e ex-deputado federal, disputa o governo pelo União Brasil, após tentativa em 2022. Seu plano de governo, com 214 páginas, inclui soluções tecnológicas para diversas áreas. O documento destaca a vocação econômica de partes do território baiano para o desenvolvimento tecnológico.
Na segurança pública, ACM Neto propõe ampliar a tecnologia de reconhecimento facial para todos os municípios polo, criando uma muralha digital que integra análise preditiva de padrões criminais em postos avançados nos 27 Territórios de Identidade. O videomonitoramento será expandido para toda a malha territorial, incluindo rodovias estaduais e estradas vicinais, com a implantação da Leitura Automática de Placas (LPR).
Outra iniciativa importante é a instalação de bloqueadores de rádio e sinal de celular em 100% das unidades prisionais, para impedir que líderes encarcerados coordenem crimes. O perímetro das cadeias será monitorado por drones equipados com tecnologia para detectar e interceptar entregas ilegais de drogas, celulares e armas.
ACM Neto também menciona o uso de inteligência artificial no sistema de fila única da saúde, para prever variações e picos de demanda e antecipar a alocação de leitos. Na educação, o candidato promete uma transformação, incluindo a oferta de disciplinas eletivas em ciência e tecnologia, além de integrar a inteligência artificial de forma transversal ao currículo.
O programa “Escola Digital” visa ampliar o acesso ao Wi-Fi nas salas de aula, enquanto a IA será usada para prevenir a evasão escolar, gerando alertas para orientadores quando alunos apresentarem baixa frequência. Além disso, há propostas para aplicar tecnologia na agricultura, indústria, turismo, mineração e ensino superior, com destaque para capacitação tecnológica de pequenos produtores e integração de plataformas de IA para atendimento a turistas.
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Ariel Capistrano e propostas iniciais sobre tecnologia
O empresário Ariel Capistrano concorre pelo Democracia Cristã (DC) pela primeira vez ao governo da Bahia. Seu plano de governo, com cinco páginas, traz promessas mais genéricas relacionadas à tecnologia. Na segurança, aposta em investimentos em inteligência e monitoramento eletrônico. Na educação, foca na ampliação do acesso à internet para estudantes e na digitalização dos serviços públicos para melhorar a gestão.
Aroldo Felix e o plano resumido da Unidade Popular
Professor do Ensino Superior, Aroldo Felix disputa o governo pelo Unidade Popular (UP). Seu plano, de uma página, intitulado “Por uma Bahia do Povo Trabalhador”, não detalha propostas específicas para tecnologia ou ciência.
Jerônimo Rodrigues e a aposta em inovação estratégica
Atual governador e candidato à reeleição pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Jerônimo Rodrigues é conhecido como o primeiro governador indígena do Brasil. Seu plano de 84 páginas enfatiza a ciência, tecnologia e inovação como ferramentas estratégicas para transformar conhecimento em soluções sociais.
Rodrigues propõe soluções de sustentabilidade, como produtos químicos, terras raras e combustíveis verdes. A conectividade será ampliada com o programa “Conecta Bahia”, levando Wi-Fi a espaços públicos e construindo uma rede de fibra óptica de alta capacidade para internet mais rápida.
O governador pretende modernizar data centers para criar uma capacidade computacional soberana, estruturando ambientes para pesquisa e inteligência artificial de interesse público. Também prevê a formulação de uma política de cibersegurança e proteção de dados para gerenciar riscos e controlar acessos.
Uma política estadual de governo digital será instituída, com diretrizes para dados e IA, além da implantação de uma rede estadual integral de dados para personalizar a interação entre governo e cidadãos. No campo da saúde, o plano menciona tecnologias médicas menos invasivas para doenças urológicas, além de ampliar o acesso a serviços especializados para pessoas com deficiência e ao Componente Especializado da Assistência Farmacêutica.
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Na educação, a proposta inclui expandir a integração entre Educação de Jovens e Adultos (EJA) e Educação Profissional e Tecnológica (EPT), além de fortalecer a cooperação entre universidades para impulsionar projetos tecnológicos e científicos. Na segurança, destaca o uso ampliado de câmeras corporais, videomonitoramento inteligente, reconhecimento facial, leitura automática de placas e integração de câmeras públicas e privadas, além de ações para cuidado e redução de danos em festas populares.
O plano também reforça o compromisso ético e responsável com a inteligência artificial, prometendo formular uma política estadual para o uso da tecnologia. Em relação ao trabalho, preveem-se cursos voltados à transição digital, como a inteligência artificial.
Outros candidatos e suas visões sobre tecnologia
Maria Bona, aposentada e candidata pelo Partido da Causa Operária (PCO), não apresenta propostas específicas para tecnologia, inteligência artificial, ciência ou soberania digital em seu plano de governo.
Ronald Mansur, presidente nacional do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) na Bahia, disputa o governo pela primeira vez. Seu plano defende soluções genéricas para ciência e tecnologia, sem citar inteligência artificial. Propõe a industrialização para superar a estagnação econômica e a integração tecnológica da segurança no estado e no país.
Na educação, Mansur aposta na ampliação das vagas para cursos tecnológicos. Em saúde, destaca a efetivação do direito à saúde da população negra por meio do acesso a tecnologias específicas. Também menciona investimentos em educação e tecnologia para substituir combustíveis fósseis e universalizar o acesso à internet de qualidade, garantindo a democratização do uso para toda a população.
