Conferência Mundial reforça mobilização em defesa da democracia e direitos das mulheres
A 5ª Conferência Mundial de Mulheres da Internacional da Educação terminou com um forte chamado à ação coletiva para a defesa da democracia, dos direitos humanos e da paz. Durante o evento, que se encerrou na quinta-feira (17), educadoras de diversas regiões discutiram os desafios que afetam a categoria, especialmente em contextos marcados por conflitos, desastres climáticos e intervenções externas. Nos painéis temáticos, o debate aprofundou as estratégias para proteger a educação em áreas vulneráveis, reforçando a importância da resistência frente a ameaças globais.
Democracia como linguagem universal das educadoras
Fátima Silva, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), destacou que a democracia é a base comum que une os povos, independentemente das diferenças regionais. Ela ressaltou que a conferência serviu para fortalecer o empoderamento das mulheres e dirigentes sindicais, enfatizando a necessidade de respeito à vida das mulheres e de políticas públicas eficazes para combater discriminação e violência. Além disso, enfatizou a urgência de políticas de inclusão social que alcancem o mundo do trabalho, garantindo direitos para todas.
Declaração da Bahia: compromissos políticos em defesa da justiça de gênero
No ato final da conferência, a diretoria executiva da Internacional da Educação (IE) proclamou a Declaração da Bahia, documento que sintetiza as principais demandas e compromissos políticos das educadoras. O presidente da IE, Mugwena Maluleke, reforçou o compromisso com o apoio integral às mulheres que atuam na educação, garantindo acesso a recursos, oportunidades e espaços de liderança nas escolas, faculdades e universidades.
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Fonte: curitibainforma.com.br
Os principais pontos da Declaração
A carta aprovada pela conferência reconhece que a maioria dos professores e profissionais de apoio à educação são mulheres, que enfrentam desafios específicos em sociedades patriarcais. Alerta sobre a persistência de normas que desfavorecem a profissão docente e destaca a prevalência de violência e assédio, inclusive de gênero, dentro das instituições de ensino. O documento também aponta os impactos negativos dos cortes orçamentários, medidas de austeridade e crises econômicas, que afetam especialmente meninas e mulheres.
Além disso, a Declaração da Bahia convoca governos e sindicatos a adotarem medidas urgentes, como o aumento do financiamento da educação pública, a eliminação de políticas austeras que prejudicam o acesso das meninas à educação e o direito das mulheres ao trabalho digno, além de investimentos na educação infantil e garantias de condições dignas para educadoras. Também enfatiza a necessidade de combater a violência e o assédio, ratificar a Convenção 190 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e incluir a saúde mental e física das mulheres nas políticas de saúde ocupacional.
Fortalecimento da liderança feminina nos sindicatos
O documento reforça que a representatividade das mulheres em todas as estruturas sindicais fortalece a democracia interna e a eficácia dos sindicatos. Recomenda a continuidade do apoio e investimento em programas de mentoria e capacitação para mulheres, garantindo maior participação e liderança feminina. A Declaração celebra a trajetória histórica das mulheres na luta pelos direitos na educação e reafirma o compromisso coletivo em avançar nessa trajetória, promovendo justiça de gênero em cada escola, sala de aula e sindicato.
Implicações para o futuro da educação
Essa aliança global firmada na Bahia tem potencial para repercutir diretamente no cotidiano das educadoras e estudantes, ao pressionar por políticas públicas que assegurem ambientes escolares seguros, inclusivos e equitativos. A ênfase em condições dignas de trabalho, valorização salarial e combate à violência cria uma base para transformar a educação em um espaço de respeito e igualdade. O próximo passo envolve a implementação dessas medidas pelos governos e a atuação contínua dos sindicatos para garantir que as reivindicações avancem em políticas concretas.
O evento reforça a importância da articulação internacional entre educadoras para enfrentar os desafios contemporâneos, especialmente em contextos que combinam crises políticas, econômicas e climáticas. A Declaração da Bahia representa um marco no fortalecimento dessa mobilização, traduzindo demandas urgentes em compromissos claros para a defesa da democracia, da justiça de gênero e da qualidade da educação pública.
