Conflito durante debate na USP sobre saúde e direitos trans
Um debate promovido na Universidade de São Paulo (USP) terminou em confronto entre Izadora Dias, candidata ao governo de São Paulo pelo Partido da Causa Operária (PCO), e estudantes presentes no evento. A militante defendeu que presídios destinados a mulheres devem ser definidos exclusivamente pelo sexo biológico, argumentando que a presença de mulheres transgeradoras em estabelecimentos masculinos cria riscos para as apenadas. Essa posição gerou críticas e acusações de transfobia por parte dos estudantes.
Izadora afirmou que as apenadas enfrentam ameaças e violência sexual motivadas pela presença de mulheres trans nos presídios. Para fundamentar seu argumento, mencionou diferenças biológicas “óbvias” entre homens e mulheres, como a capacidade de gestação e amamentação, qualificando como “negacionismo” as perspectivas que relativizam essas distinções.
Estudantes rebatem e acusam militante de transfobia
Durante o debate, uma estudante do Centro Acadêmico Emílio Ribas (CAER), entidade organizadora do evento em parceria com a Associação Paulista de Saúde Pública e a Faculdade de Saúde Pública da USP, contestou a fala de Izadora, alegando que não há diferença científica entre homens e mulheres. A estudante ainda destacou que a declaração da candidata poderia configurar crime de transfobia, enquadrado pela legislação brasileira na lei do racismo, considerada inafiançável e imprescritível.
Leia também: Debate na USP sobre mulheres trans em presídios provoca confronto entre candidata do PCO e estudantes
Fonte: ocuiaba.com.br
Leia também: Debate Controverso na USP Sobre Presídios e Direitos das Mulheres Trans
Fonte: daquidemanaus.com.br
Sem recuar, Izadora reafirmou sua posição e criticou o que chamou de imposição da opinião pública sobre o partido. A militante também questionou a noção de transfobia como crime, mencionando a lei do racismo e fazendo paralelo com a defesa da Palestina. Além disso, atribuiu a polarização gerada por essas discussões a possíveis vitórias eleitorais de políticos como Tarcísio de Freitas e Flávio Bolsonaro.
Reação institucional e encaminhamentos
O embate foi intenso a ponto de estudantes solicitarem a presença da polícia, que não compareceu. Foi orientado o registro de um Boletim de Ocorrência para documentar o episódio. Em nota oficial, o Centro Acadêmico Emílio Ribas acusou Izadora de utilizar o debate para autopromoção, afirmando que não aceita a disseminação de estereótipos violentos contra grupos marginalizados nem a redução do debate sobre saúde e direitos a argumentos que desrespeitam a dignidade humana.
As universidades envolvidas também emitiram nota repudiando a candidata, ressaltando que promover o debate democrático requer garantir diferentes posições políticas, o que não implica concordância com todas as manifestações expressas no evento. A Gazeta do Povo tentou contato com a USP, mas não obteve retorno; o espaço permanece aberto para posicionamentos.
Em resposta, o PCO publicou artigo no veículo oficial do partido relatando casos semelhantes em outras universidades públicas, destacando que a acusação de “transfobia” é usada como ferramenta para deslegitimar o adversário político e restringir sua participação nos debates.
