Espetáculo traz reflexões sobre cultura e ancestralidade
O balé folclórico da bahia (BFB) retorna aos palcos de Salvador com o espetáculo “O Balé Que Você Não Vê” nos dias 21 e 22 de novembro, na sala principal do teatro castro alves (TCA). A montagem, que já percorreu as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil em uma turnê nacional, destaca a conexão profunda do grupo com a cultura e religiosidade de matriz africana. A apresentação integra as comemorações do mês da consciência negra e reforça o papel do BFB como guardião e divulgador da cultura afro-baiana.
Repertório e pesquisa cultural
Com direção geral e fundação de Walson (Vavá) Botelho, o grupo apresenta quatro coreografias que dialogam com tradições e linguagens contemporâneas: “Bolero”, de Carlos Durval; “Okan”, de Nildinha Fonseca; “2-3-8”, de Slim Mello; além do clássico “Afixirê”, de Rosângela Silvestre, reconhecido internacionalmente. A companhia, que completará 38 anos em 2026, mantém um compromisso com a resistência cultural e a valorização da ancestralidade. Segundo Vavá, a experiência artística expressa a memória de Zumbi dos Palmares e as lutas do povo negro, elementos fundamentais para fortalecer a identidade afro-brasileira.
Desafios e disciplina da companhia
Inspirado na superação diária da equipe, “O Balé Que Você Não Vê” estreou em novembro de 2022, marcando o retorno do BFB após o período de suspensão causado pela pandemia da COVID-19. A manutenção do alto nível técnico exige um trabalho constante e rigoroso. Vavá destaca que poucas companhias privadas resistem por tanto tempo sem patrocínio regular, mantendo excelência e respeito na crítica e no público. Os bailarinos recebem formação ampla, que inclui dança clássica, moderna, contemporânea, música, capoeira, canto e teatro.
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Tradição e educação
Desde 1993, sob a direção artística de José Carlos Arandiba (Zebrinha), o BFB aprimora sua técnica ao mesmo tempo em que se inspira nas manifestações populares da Bahia para compor suas coreografias, legitimando o folclore local. Zebrinha ressalta que o trabalho do Balé é também educativo, abrindo espaço para pessoas de diferentes idades e classes sociais, e desconstruindo estigmas por meio da arte.
Interação com a comunidade e escolas
Antes das apresentações no TCA, o Balé Folclórico da Bahia realizará ensaios abertos em escolas municipais de Salvador para aproximar crianças e jovens da cultura afro-baiana. Nos dias 29 de outubro e 5 de novembro, na Escola Municipal Barbosa Romeo e na Escola Municipal Valdemar Bibiano Jorge Amado, respectivamente, o grupo compartilhará parte de sua rotina artística, integrando educação e cultura.
Laços com o continente africano
O BFB mantém vínculos históricos com a África, tendo realizado turnês em países como Togo, Benim, África do Sul, Gana e Senegal. Em reconhecimento ao trabalho de preservação cultural, recebeu homenagens como a nomeação de uma rua na cidade de Aného, no Togo. O grupo também participou do festival Vodun Days, no Benim, que celebra a religião e cultura vodum, reforçando o diálogo entre as culturas africanas e afro-brasileiras.
Intercâmbio e formação internacional
Em outubro de 2026, os bailarinos e coreógrafos Nildinha Fonseca e Wagner Santana ministraram workshop de 15 dias no Senegal, a convite da École des Sables, centro de referência em dança tradicional e contemporânea africana. Essa troca fortalece a identidade do Balé como embaixador da cultura afro-baiana no mundo e reforça a importância do continente africano como fonte ancestral e inspiração para o grupo.
Presença global e agenda local
Com 38 anos de trajetória, o Balé Folclórico da Bahia já se apresentou em mais de 300 cidades e 30 países, incluindo Estados Unidos, Itália, Inglaterra e diversos países africanos. Sediado no Pelourinho, Salvador, o BFB é a única companhia profissional de dança folclórica do Brasil. Além das apresentações no TCA, o grupo mantém temporada regular no Teatro Miguel Santana, atraindo turistas e moradores interessados na cultura afro-baiana.
Informações sobre o espetáculo
O espetáculo “O Balé Que Você Não Vê” será apresentado no Teatro Castro Alves nos dias 21 e 22 de novembro, às 20h no sábado e às 19h no domingo. Os ingressos estão disponíveis no Sympla, com valores que variam entre R$ 120 e R$ 140, conforme a localização dos assentos. A duração total da apresentação é de 1 hora e 40 minutos, incluindo intervalo de 20 minutos, e a classificação indicativa é livre.
