Mulheres no centro do debate no FLIFS 2026
O terceiro dia da 19ª edição do Festival Literário e Cultural de Feira de Santana (FLIFS) foi marcado por uma programação diversa que uniu literatura, jornalismo, cultura pop e tradição popular. Um dos momentos mais significativos foi a mesa redonda “O lugar da mulher na construção da narrativa jornalística”, que contou com a participação das jornalistas Jéssica Senra e Midiã Noele, que discutiram a presença feminina na comunicação, o protagonismo e os desafios enfrentados diante dos estereótipos históricos.
A conversa abordou a importância de ampliar os espaços para diferentes perspectivas no jornalismo, ressaltando como a participação das mulheres contribui para a construção de narrativas mais plurais. Jéssica Senra destacou que o protagonismo feminino abre caminhos para novos olhares sobre os fatos, enquanto Midiã Noele enfatizou a necessidade de criar espaços que reflitam as experiências e realidades das próprias mulheres.
Representatividade e construção de narrativas
O debate não se limitou à presença das mulheres frente às câmeras ou nas redações, mas questionou também quem está por trás da produção das narrativas e como isso influencia a percepção social. Jéssica Senra lembrou que, historicamente, a comunicação foi dominada por homens, com as mulheres ganhando visibilidade em funções como a apresentação de telejornais. Essa transformação, segundo ela, é fundamental para ampliar as perspectivas nos conteúdos jornalísticos.
Midiã Noele apontou que criar espaços de comunicação voltados para as necessidades femininas é um passo essencial para enfrentar desigualdades estruturais. A participação das duas jornalistas no FLIFS reforça o compromisso do festival com a discussão sobre comunicação e a construção de novas narrativas.
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Jovens e cultura pop no FLIFS
O público jovem teve destaque com o projeto Conectados, que trouxe atividades relacionadas à cultura geek e uma mesa dedicada à cultura pop e literatura. Essa iniciativa aproximou os livros de outras expressões culturais contemporâneas, ampliando as formas de acesso às artes e à leitura.
Além disso, o artista e escritor Deco Filipe participou de um encontro para compartilhar experiências sobre suas obras e o processo criativo, fortalecendo o diálogo entre autores e leitores e mantendo viva a proposta do festival de integrar diferentes linguagens culturais em torno da literatura.
Festival de Violeiros integra tradição à programação
Uma novidade do FLIFS 2026 foi a incorporação do 48º Festival de Violeiros de Feira de Santana à programação oficial. O evento trouxe a riqueza da cultura popular nordestina, reunindo repente, cantoria e viola em uma competição entre duplas de vários estados da região.
Participaram da disputa Leandro Tranquilino e Nadinho de Riachão (BA); Fabiane Ribeiro (MA) e Matheus Ferreira (SP); Edvaldo Zuzu e Daniel Olímpio (PE); e Hipólito Moura (PE) e Raimundo Caetano (PB). A competição valorizou a tradição e a oralidade, elementos essenciais da cultura regional.
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Fonte: bahnoticias.com.br
Resultados e homenagens no Festival de Violeiros
Raimundo Caetano e Hipólito Moura conquistaram o primeiro lugar, enquanto Fabiane Ribeiro e Matheus Ferreira ficaram em segundo. Em terceiro, ficaram Edivaldo Zuzu e Manoel Olímpio, e a quarta posição foi ocupada por Nadinho de Riachão e Leandro Tranquilino. A disputa também reservou homenagem à dupla Dadinho e Caboquinho na Praça do Cordel, espaço integrante da programação do festival.
Essa integração reforça a presença da cultura popular dentro do FLIFS, ao lado das atividades literárias, debates e ações voltadas para o público jovem, promovendo um diálogo entre tradição e inovação.
FLIFS: um patrimônio cultural da Bahia
Desde 2007, o Festival Literário e Cultural de Feira de Santana é reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Bahia. Organizado pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e pelo Sesc Feira de Santana, o evento promove o livro, a leitura e as manifestações culturais locais, incluindo contação de histórias, cordel, oficinas, lançamentos de livros e apresentações musicais.
Em 2026, o FLIFS celebra 19 anos de existência, reafirmando seu papel como espaço de circulação cultural e de fortalecimento da cena literária e artística da região.
