Uma Celebração da Arte e cultura do Cariri
No dia 7 de maio, às 17h, será inaugurada a exposição “Cariri: corpo, terra e cultura” no Centro Cultural do Cariri Sérvulo Esmeraldo. Considerada a maior desde a abertura do espaço, a mostra reúne mais de 170 artistas e cerca de 2.300 obras que incluem ilustrações, fotografias, esculturas, bordados e xilogravuras. A exposição, que faz parte da Rede Pública de Equipamentos Culturais (Rece) do Governo do Ceará e é gerida em parceria com o Instituto Mirante de Cultura e Arte, tem curadoria de Bitu Cassundé, acompanhado por Maria Macêdo e Francisco Pereira.
A diretora do Centro Cultural do Cariri, Rosely Nakagawa, destaca que a exposição é fruto de quatro anos de intensa pesquisa e escuta sobre a cultura da região. “Acreditamos que é fundamental entender e fazer parte do território, estabelecendo uma conexão entre razão e emoção. Esta mostra representa a culminância desse processo de convivência com as culturas dos 29 municípios do Cariri”, afirma.
Diálogo Entre Memória e Criação
A exposição é estruturada em três núcleos: Anunciação, Encandear e Abrir com mãos afiadas o caminho. Essas divisões promovem um diálogo entre a memória e a criação contemporânea, abordando as diversas dimensões culturais que compõem a identidade caririense. Bitu Cassundé explica que as obras expostas não apenas refletem tradições, mas também questionam e reinvenções. “Aqui, a paisagem e o corpo se entrelaçam, revelando o território como um organismo sensível, enquanto o corpo é uma superfície viva de inscrição histórica e cosmológica”, diz.
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Uma Experiência Cultural Enriquecedora
Entre junho e outubro de 2025, o Centro Cultural do Cariri promoveu um curso gratuito voltado à Pesquisa e Criação em Exposições de Arte, preparando egressos que agora colaboram na equipe da exposição. Bitu ressalta a importância de compartilhar saberes sobre a construção de exposições, indo além de um evento pontual, mas sim promovendo um aprendizado que fique na comunidade.
Núcleos da Exposição
O núcleo Anunciação, por exemplo, se configura como um espaço simbólico onde festa, sagrado e natureza coexistem. É uma homenagem às práticas culturais que moldam o imaginário da região. Aqui, a natureza é apresentada como uma entidade viva e o sagrado é materializado em formas que criam um espaço relacional. “A festa é uma tecnologia coletiva que reafirma a vida, unindo saberes e temporalidades”, explica Cassundé.
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O núcleo Abrir com mãos afiadas o caminho apresenta uma perspectiva contemporânea que alia a arte de novos artistas a tradições, sem hierarquizar entre popular e contemporâneo. O objetivo é integrar todos os participantes da arte em uma única narrativa, independentemente da sua origem ou estilo.
Por sua vez, o núcleo Encandear investiga a imagem como um campo de disputa da memória, utilizando fotografias, vídeos e arquivos que exploram as tensões entre registro e fabulação. As práticas coletivas, como feiras e romarias, aparecem como expressões de pertencimento e espiritualidade, enquanto arquivos históricos são revelados, mostrando a resistência de diversos povos na constituição do território.
Uma das exposições mais notáveis dentro deste núcleo é a feira do Crato, que ganhou destaque pelas fotografias da artista Telma Saraiva. Os registros de seu pai, Júlio Saraiva, e de seu esposo, Edilson Rocha, trazem uma rica narrativa visual da feira, fazendo um mergulho na história e na cultura local.
Um Ano de Arte e Cultura
A exposição “Cariri: corpo, terra e cultura” permanecerá aberta por um ano e conta com o apoio de importantes instituições, como a Central de Artesanato do Ceará, o Museu da Cultura Cearense e o Instituto Moreira Salles, entre outras. Cada uma dessas parcerias reforça a relevância do Centro Cultural do Cariri na promoção da cultura e da arte na região.
Localizado no Crato, Ceará, o Centro Cultural se destaca com sua extensa infraestrutura, oferecendo uma variedade de espaços que atendem às necessidades culturais e educacionais da comunidade. Desde sua inauguração, já foram realizadas cerca de 4 mil ações, beneficiando mais de 1 milhão de pessoas, todas gratuitas. O local abriga galeria, biblioteca, salas de formação e muito mais, consolidando-se como um lugar de encontro e intercâmbio cultural.
O reconhecimento do Centro Cultural do Cariri se reflete não apenas pela quantidade de visitantes, mas também por prêmios significativos, como o 1º lugar no prêmio Melhores de 2025 da Revista Celeste, reafirmando seu papel como referência cultural no Brasil.
