Inovações da Bayer no Controle de Pragas da Soja
LUCAS DO RIO VERDE (MT) — Em um cenário desafiador onde as plantas daninhas têm causado preocupações nas exportações de soja para a China, a Bayer intensificou suas ações no Brasil para apresentar sua mais recente biotecnologia destinada à soja: a Intacta 5+. Esta inovação representa uma atualização significativa da linha Intacta 2, que já detém uma expressiva participação de mercado, abrangendo cerca de 50% do setor de soja no país.
O lançamento foi destacado em feiras no Sul do Brasil e na Show Safra, ocorrida recentemente, onde foi revelado que a nova tecnologia é composta por uma combinação de 10 proteínas. Entre as principais melhorias, está a introdução de cinco proteínas que proporcionam resistência a herbicidas, além de outras que combatem a lagarta, já presentes em versões anteriores.
A Intacta 5+ se destaca por incluir resistência à mesotriona e ao dicamba, herbicidas que agora podem ser aplicados no pós-plantio, em vez de somente no pré-plantio, mantendo também a resistência ao glifosato, glufosinato e 2-4D. “Mais de 200 espécies de plantas daninhas já foram catalogadas como problemáticas para a soja. Se removemos herbicidas como mesotriona e dicamba do controle, a eficácia cai pela metade”, explicou Mateus Benedeti, gerente responsável pelo lançamento da Intacta 5+.
Desenvolvimento e Aprovação da Nova Tecnologia
A nova biotecnologia, completamente desenvolvida no Brasil, com foco na região de Petrolina (PE), já recebeu a aprovação dos órgãos reguladores nacionais. No entanto, ainda aguarda a validação internacional, incluindo a autorização da China e de países europeus. A Bayer espera que essa aprovação aconteça nos próximos anos, permitindo que a Intacta 5+ se torne viável comercialmente na safra de 2027/28.
A multinacional está atenta ao cronograma, implementando ações para preparar a cadeia produtiva, que vão paralelamente com a busca por aprovações internacionais. Isso é crucial para garantir que as sementes estejam disponíveis para os produtores no momento certo.
Além disso, a Bayer colabora com pelo menos três empresas de sementes para avançar nas pesquisas sobre a nova biotecnologia e sua integração com germoplasmas. Empresas como GDM, TMG e Stine estão entre os parceiros, sendo que a GDM concentra 80% do mercado de germoplasma.
A Bayer tem como meta superar a produtividade da versão anterior da linha, que já alcançou 100 sacas por hectare em algumas áreas do Centro-Oeste. “Queremos ir além disso. No entanto, ainda não temos o germoplasma totalmente pronto para garantir essa meta. As colheitas desse material terão início no segundo semestre deste ano. Contudo, se conseguirmos inserir nossa biotecnologia no germoplasma sem comprometer o rendimento, e considerando o manejo que oferece proteção contra a lagarta, já teremos um incremento significativo”, ressaltou Benedeti.
Avanços no Uso de Herbicidas
Além da nova semente que resiste ao dicamba, a Bayer introduziu uma inovação no próprio herbicida. Anteriormente, o produto Extend podia ser utilizado apenas no pré-plantio; agora, ele poderá ser aplicado também no pós-plantio, uma mudança que representa um avanço significativo na aplicação dos herbicidas.
Essa evolução na formulação do herbicida é resultado de um longo processo de desenvolvimento, que remonta à época da Segunda Guerra Mundial. Naquela época, a base do dicamba era o sal DMA (Dimetilamina), altamente volátil e difícil de reter nas lavouras. Com o tempo, essa formulação foi aprimorada com a introdução do sal de DGA (Diglicolamina) e, agora, evoluiu para o sal MEA (Monoetanolamina), permitindo sua aplicação também após a emergência das plantas.
“Essa alteração amplia as opções disponíveis para o agricultor. Muitas vezes, é complicado aplicar todos os produtos necessários antes do plantio, mas agora haverá a flexibilidade de realizar essa aplicação após o plantio”, explicaram Alyne Gonçalves e Victor Veiga, representantes técnicos da Intacta.
Os representantes técnicos afirmaram que o custo do produto permanece inalterado, já que a dosagem necessária para a aplicação, mesmo com as modificações, é similar tanto no pré quanto no pós-emergência.
