BRDE: O Exemplo de Financiamento do Turismo no Brasil
O Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) tem se destacado como um pilar essencial no financiamento do turismo, especialmente durante períodos desafiadores. Desde 2018, a instituição destinou quase R$ 1 bilhão em financiamentos, consolidando-se como o principal agente do Fungetur no Sul do Brasil. Essa atuação mostra como políticas de crédito bem estruturadas podem transformar crises em oportunidades, sustentando empresas e comunidades em momentos críticos e promovendo o setor como um vetor de desenvolvimento sustentável.
A atuação do BRDE durante a pandemia e, mais recentemente, após as enchentes de 2024, evidencia a necessidade de um agente regional focado. O crédito emergencial disponibilizado pelo banco permitiu que hotéis, pousadas e parques reabrissem rapidamente, protegendo empregos e evitando o colapso de vários destinos turísticos que dependem fortemente dessa atividade para sua sobrevivência.
Um dos grandes diferenciais do BRDE está na sua abrangência. Ao contrário de muitas instituições financeiras que concentram recursos em grandes empreendimentos, o banco alcança toda a cadeia produtiva, incluindo redes hoteleiras e pequenos negócios familiares. Essa capilaridade democratiza o acesso ao crédito, fortalecendo o ecossistema turístico em sua totalidade e permitindo que pequenos empreendedores também possam ter oportunidades.
Comparação com Outras Regiões do Brasil
O desempenho do BRDE tem colocado o Sul do Brasil em uma posição de destaque quando comparado a outras regiões do país. Estados como São Paulo e Bahia possuem uma demanda turística significativa, mas não contam com um agente regional tão dedicado quanto o BRDE. Como resultado, a região Sul conseguiu transformar o financiamento em um desenvolvimento diversificado, que gera um impacto direto tanto na economia local quanto na identidade cultural regional.
Replicar o modelo do BRDE em outras partes do Brasil seria uma estratégia importante. O turismo brasileiro é extremamente diverso e possui um potencial vasto — desde o ecoturismo na Amazônia até o patrimônio histórico de Minas Gerais e a riqueza cultural do Nordeste. Um sistema de crédito regional inspirado no BRDE poderia acelerar investimentos, garantir a sustentabilidade e aumentar a competitividade nacional.
O que o BRDE demonstra é que o financiamento público, quando bem direcionado, pode gerar um impacto econômico, social e cultural significativo. A instituição não é apenas um banco, mas um verdadeiro parceiro do desenvolvimento sustentável. O Brasil deve olhar atentamente para essa experiência e considerar sua expansão. Transformar o turismo em uma política de Estado, com crédito acessível e inclusivo, pode ser o caminho para fortalecer a economia e posicionar o país de forma competitiva no cenário internacional.
