Sobrevivência em meio ao ataque
Dois ataques de tubarão registrados em pouco mais de 24 horas no litoral da Região Metropolitana do Recife transformaram a vida de dois jovens. Apesar da gravidade dos incidentes, ambos sobreviveram, um desfecho raro nesses casos. A reportagem do Fantástico conversou exclusivamente com uma das vítimas, Marcela Vitória, de 19 anos, que ainda está em processo de recuperação.
O ataque e o resgate
João Lucas foi atacado na praia de Piedade, no último dia 31 de maio. Após receber alta hospitalar, ele foi homenageado por médicos e enfermeiros que entoaram a canção “É campeão”. Uma das médicas resumiu o sentimento da equipe: “Você é uma vitória. É um milagre. E que bom que você vai para casa. Você terá toda a sua vida pela frente.” Pouco mais de um dia depois, outro ataque ocorreu na Praia de Boa Viagem, onde a estudante de Direito Marcela Vitória dos Santos foi vítima.
Marcela contou que estava no mar, em uma área rasa, quando sentiu algo tocar sua mão, seguido por uma mordida na coxa. O responsável pelo ataque foi um tubarão-tigre com mais de três metros de comprimento. “Foi questão de segundos. Quando eu olhava para baixo, não conseguia ver”, relatou a jovem.
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Fonte: tcheagora.com.br
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Fonte: parabelem.com.br
Coragem e reabilitação
Ela percebeu a gravidade ao notar a quantidade de sangue e decidiu reagir. “Pensei que, se ele continuasse mordendo, provavelmente me mataria. Então gritei o máximo que pude para chamar meu primo.” Jonas André de Lima ouviu os pedidos de socorro e, mesmo sabendo do risco, entrou no mar para resgatá-la. Um médico que passava pela praia conseguiu estancar a hemorragia antes da chegada do socorro.
Durante todo o resgate, Marcela permaneceu consciente e lembra do momento em que percebeu ter perdido a perna. “Naquele instante, senti o luto. Não o luto por uma pessoa, mas por ter perdido um membro.” Foram 40 dias de internação, cinco deles na UTI, além de duas cirurgias.
Desafios familiares e planos para o futuro
Sua mãe, Jacicleide Severina de Lima, acompanhou cada passo da recuperação. Mãe solo, Jacicleide lembra que Marcela trabalhava como auxiliar de pizzaiolo para ajudar nas despesas da casa enquanto cursava Direito. Agora, enfrentam o desafio de custear a reabilitação, já que a jovem ainda não pode voltar ao trabalho.
Apesar das dificuldades, Marcela mantém seus planos intactos. Ela sonha em se tornar juíza e afirma que pretende aproveitar a segunda chance que recebeu. “Isso só vai me deixar mais forte. Vamos viver, estudar, trabalhar e aproveitar tudo o que a vida oferece de bom. Vamos seguir em frente, sem olhar para trás.”
