Reconhecimento e valorização cultural no Sertão da Paraíba
O Sertão da Paraíba se destaca como palco do festival da cultura quilombola, uma iniciativa que busca fortalecer as expressões culturais e preservar a identidade dos povos quilombolas do estado. Segundo Érika Catarina, gerente de Articulação Cultural da Secretaria de Cultura da Paraíba (Secult-PB), o festival é uma oportunidade contínua para promover a memória, as tradições e a diversidade étnica que esses grupos representam. Música, dança, artesanato, culinária, oralidade e práticas religiosas ganham espaço, evidenciando a riqueza cultural local e a resistência desses povos.
Educação antirracista e luta por direitos
Além de fortalecer a cultura, o festival desempenha papel crucial na educação antirracista, contribuindo para o combate ao preconceito e à discriminação racial. A ação promove o reconhecimento dos direitos sociais, culturais e territoriais das comunidades quilombolas, tornando-se um instrumento de sensibilização tanto para a sociedade quanto para gestores públicos. A preservação do patrimônio imaterial dessas comunidades é, assim, uma prioridade que ganha visibilidade por meio do evento.
História e significado do Quilombo Cruz da Menina
Localizado no brejo paraibano, a 153 km de João Pessoa, o Quilombo Cruz da Menina carrega uma história marcada pela luta e pela resistência. Originalmente chamado Tapuio, o nome foi alterado em homenagem à Dulce, uma criança cuja trajetória simboliza as dificuldades enfrentadas pela comunidade. Após ter seu pedido de ajuda negado em um momento de fome e sede, a morte da menina deu origem a uma série de manifestações culturais e religiosas, como a romaria anual que celebra um milagre ocorrido no local.
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Tradições que mantêm viva a herança africana
A comunidade quilombola preserva uma série de manifestações culturais que refletem sua raiz africana. Entre as principais celebrações estão a Queima de Flores, em 31 de maio, que envolve orações e o ritual de queimar flores; o Boi de Rezo, uma festa realizada em datas variadas; a Romaria de 1º de novembro, que homenageia a memória de Dulce; e a Festa da Consciência Negra, comemorada em 20 de novembro. O Forró de Sanfona e Zabumba também marca momentos importantes, como os casamentos locais.
Desafios e perseverança na busca por direitos territoriais
Apesar do reconhecimento oficial como quilombo, o Quilombo Cruz da Menina encara desafios significativos, especialmente na titulação de suas terras e na garantia de infraestrutura e serviços básicos. A insegurança fundiária permanece como um obstáculo, mas o movimento quilombola local tem se fortalecido para preservar seu território e garantir a dignidade dos seus membros. O manuseio do barro para a produção de utensílios domésticos é um exemplo da continuidade das tradições e da cultura material da comunidade.
Um símbolo vivo de resistência e cultura
O Quilombo Cruz da Menina transcende seu aspecto geográfico, representando uma luta constante por justiça social, reconhecimento e preservação cultural. O festival e as manifestações culturais da comunidade funcionam como expressões concretas dessa resistência, reafirmando o lugar dos quilombolas na história e na cultura paraibana. A participação do público e o apoio à agenda cultural local são essenciais para manter viva essa identidade.
