A Intersecção entre Tecnologia e Cultura Organizacional
A liderança moderna requer um delicado equilíbrio entre pessoas e tecnologia, promovendo uma integração eficaz nos ambientes de trabalho. Em um cenário marcado por automação e diversificadas expectativas geracionais, a área de Recursos Humanos (RH) se destaca como protagonista nas discussões sobre cultura, desenvolvimento e estratégias corporativas. Essa abordagem é o foco do mais recente episódio da série de videocasts “Nós e o RH”, apresentado por Érika de Siqueira Seddon e Domingos Fortunato, sócios da área Trabalhista e Sindical do Mattos Filho, em parceria com Christiane Berlinck, diretora de Recursos Humanos do Grupo OLX.
No decorrer da conversa, Christiane compartilha sua trajetória repleta de transições significativas entre diferentes áreas de negócios e Recursos Humanos. A executiva reflete sobre como experiências diversas enriquecem a formação de lideranças mais completas e os obstáculos enfrentados em contextos multiculturais, geracionais e de gênero, ressaltando a importância de assumir riscos calculados e sair da zona de conforto como práticas de aprendizado vital.
Dentre os principais temas discutidos, estão:
- A dimensão da liderança: Um aspecto individual e subjetivo que demanda escuta ativa, comunicação clara e a conexão entre os objetivos da organização e o desenvolvimento dos colaboradores;
- O desenvolvimento contínuo: Central na experiência do colaborador, abrange aprendizado constante, bem-estar, saúde mental e segurança psicológica como pilares para a alta performance;
- Tecnologia e inteligência artificial: Adoção gradual e estruturada dessas ferramentas no RH, ampliando a eficiência operacional e reforçando a atuação estratégica em cultura, liderança e gestão de talentos.
Autopercepção e Avanço na Carreira
Christiane narra uma parte de sua experiência internacional, onde lidou com o ceticismo geracional e cultural. Érika complementa a discussão trazendo à tona estudos de Harvard, que revelam que mulheres costumam hesitar em se candidatar a vagas mais elevadas quando não têm clareza total sobre os requisitos, especialmente em áreas consideradas “masculinas” ou mais técnicas; enquanto homens tendem a se inscrever mesmo que atendam parcialmente aos critérios.
Para aprimorar a cultura organizacional e a gestão de talentos, torna-se fundamental reduzir a ambiguidade nas descrições de requisitos, explicitar as qualificações necessárias e tornar claros os critérios de avaliação. Tais ações não apenas elevam a confiança, mas também ampliam a diversidade e melhoram a qualidade do pipeline de candidatos. Essas evidências são detalhadas no artigo da Harvard Business School Working Knowledge intitulado “Breaking Through the Self-Doubt That Keeps Talented Women from Leading” e no estudo “Whether to Apply” (Harvard Business School Working Paper).
Transformação Digital Voltada para o Colaborador
Durante a discussão sobre a implementação de tecnologia e IA na OLX, Domingos ressalta os resultados práticos dessa adoção e aborda o desafio de perceber a tecnologia como aliada, e não como uma ameaça. O diálogo se aprofunda em temas como padronização de processos no RH, captura e governança de dados, além das etapas de gestão da mudança que são essenciais para minimizar a resistência à tecnologia. A conversa também inclui a experiência de onboarding de um assistente virtual, vivenciada por Christiane.
Cultura e Modelos de Trabalho com Propósito
Por fim, o episódio propõe reflexões sobre o futuro do RH, que deve lidar com ambientes cada vez mais complexos, onde a convivência entre pessoas e tecnologia é uma realidade. A saúde mental, a segurança psicológica, ambientes saudáveis e uma liderança humanizada estão no centro dessa pauta, posicionando o RH como um ator central na construção de organizações mais sustentáveis, eficientes e alinhadas às dinâmicas do mundo do trabalho.
Para descobrir mais sobre essa conversa enriquecedora, assista ao videocast no nosso canal do YouTube ou ouça na sua plataforma de podcast favorita.
