Revitalização que une tradição e inovação
O teatro vila velha, ícone da cultura baiana, recebeu o público novamente nesta sexta-feira (25) após uma reforma profunda realizada pela Prefeitura de Salvador. Situado no Passeio Público, o teatro foi modernizado com sistemas atualizados, trazendo melhorias que aumentam o conforto, a segurança e a acessibilidade para artistas, profissionais e espectadores.
O investimento total da Prefeitura na revitalização alcançou R$ 28,6 milhões, contemplando também intervenções no entorno do Passeio Público. Desse montante, R$ 14 milhões foram aplicados na aquisição de equipamentos como sistemas de climatização, iluminação e mobiliário. Os outros R$ 14,6 milhões foram destinados à obra física do teatro e à recuperação do espaço público adjacente.
Preservação histórica combinada a avanços técnicos
Elaborado pela Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF), o projeto buscou manter as características arquitetônicas originais do Vila Velha, inaugurado em 1964, especialmente a estrutura cênica do palco. Simultaneamente, incorporou melhorias para atender às exigências atuais de um equipamento cultural.
Dentre as inovações, destaca-se a duplicação do número de varas cênicas, a instalação de sistemas modernos de iluminação, som e audiovisual, além do tratamento acústico da sala principal, que também recebeu um novo sistema de ar-condicionado. O projeto contemplou ainda a criação de uma subestação de energia e espaços ampliados para armazenamento de materiais cenográficos.
A sala de espetáculos Cabaré dos Novos foi reformada com isolamento acústico, permitindo eventos simultâneos com a sala principal. A antiga sala João Augusto, que antes servia como espaço de ensaios, foi transformada em um terceiro ambiente de espetáculos, preparado para receber montagens experimentais, monólogos e formatos variados.
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Fonte: decaruaru.com.br
Espaços adaptados para conforto e segurança
As áreas administrativas, camarins, salas de ensaio, foyer e café/bar também passaram por adequações para melhorar seu funcionamento. Foram atualizados os sistemas elétricos, acústicos e de climatização, além da instalação de novos alarmes, protocolos contra incêndio e monitoramento por circuito fechado de TV (CFTV).
A revitalização alcançou ainda o Passeio Público, com renovação da iluminação e intervenções nos bancos, equipamentos, monumentos, fonte e mirante, respeitando a configuração histórica do local.
Acessibilidade e conexão com o público
Uma das prioridades da obra foi a acessibilidade, incluindo melhorias no entorno do teatro. A proximidade do Passeio Público com o Palácio da Aclamação, tombado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), exigiu um planejamento cuidadoso para qualquer intervenção, conforme explicou Tânia Scofield, presidente da FMLF.
Foi instalada uma nova passarela metálica que conecta o Passeio Público ao teatro, com rampa de acesso suave, elevador e escadarias que facilitam a circulação do público pelos diferentes níveis do espaço. O arquiteto Nivaldo Andrade destacou que essa intervenção solucionou limitações anteriores que dificultavam o acesso, especialmente para cadeirantes.
Com essa nova configuração, o acesso ao teatro ficou praticamente no mesmo nível do Passeio Público, facilitando o fluxo e promovendo a inclusão de todos os visitantes.
Preservação da memória e valorização da arte local
Além da modernização, o projeto também valorizou a memória do Vila Velha. O acervo do teatro, que conta com cerca de um milhão de documentos, ganhou um espaço dedicado à pesquisa, visitação e preservação. O Cabaré dos Novos foi mantido como uma sala independente, enquanto as áreas administrativas e de armazenamento foram ampliadas para acomodar cenários, figurinos e objetos.
Na entrada, o mural do artista plástico Bel Borba, símbolo clássico do teatro, foi restaurado, recuperando sua beleza original depois de anos de desgaste.
Para o diretor do Vila Velha, Márcio Meirelles, a reabertura vai além da retomada das atividades. “Voltamos para nossa casa, para o nosso espaço. O Vila Velha nos ocupa, e estamos aqui com o mesmo empenho, a mesma necessidade de encontros, fala e escuta”, afirmou.
História que ecoa na cultura baiana
Fundado em 1964 por alunos dissidentes da Escola de Teatro da Ufba, liderados pelo professor João Augusto, o Vila Velha conquistou papel fundamental na cena cultural da Bahia ao longo de seis décadas. Sua trajetória se entrelaça com momentos decisivos da cultura nacional, como o movimento tropicalista, com espetáculos marcantes que contaram com a presença de artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Gal Costa e Tom Zé.
Ao longo dos anos, o palco do Vila Velha recebeu nomes como Lázaro Ramos, Wagner Moura, Virgínia Rodrigues e Othon Bastos, além de grupos como Novos Baianos, Bando de Teatro Olodum, Viladança, Cia. de Teatro Novos Novos e VilaVox, consolidando sua importância na circulação artística regional e nacional.
