Raissa Bahia e a trajetória até a Seleção Brasileira
Raissa Soares de Carvalho da Paz, natural de Jacobina, no interior da Bahia, vem conquistando seu espaço como lateral-esquerda na Seleção Brasileira de futebol feminino. Com apenas 23 anos, a atleta acumulou sua terceira convocação consecutiva pelo técnico Arthur Elias e entrou como titular pela primeira vez na vitória do Brasil por 3 a 1 sobre a Argentina, em amistoso disputado no Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre.
Desde os primeiros passos no futebol, dividindo o campo com meninos em sua cidade natal, Raissa construiu uma carreira sólida. Começou na Associação Desportiva Esporte Clube Caieira e passou pelo Centro de Formação de Futebol da Bahia (CFFB) e pelo Fluminense de Feira antes de se destacar no Grêmio (RS), clube pelo qual conquistou três títulos e chamou atenção nacional. Atualmente, atua pelo Palmeiras-SP, onde acumula cinco taças desde 2025.
Conquistas recentes e o sonho da Copa do Mundo
A lateral-esquerda disputou e venceu o Fifa Series, torneio realizado no Brasil em abril, onde participou de dois jogos, deu assistência e marcou seu primeiro gol pela seleção na goleada por 6 a 1 sobre a Zâmbia. Até agora, Raissa soma quatro partidas com a amarelinha e tem presença confirmada para o próximo amistoso contra a Argentina, na Arena Pernambuco.
Com a Copa do Mundo se aproximando, a jogadora não esconde o desejo de representar o país no torneio. “Estou muito feliz e grata pela oportunidade de ser convocada e continuo focada, trabalhando muito e buscando evoluir a cada dia. Se Deus quiser, vou conquistar o sonho de ser convocada para uma Copa do Mundo”, afirma Raissa, que tem sido destaque por seu desempenho e dedicação.
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O impacto da Copa do Mundo para o futebol feminino e a Bahia
Raissa enxerga o Mundial como uma chance de ampliar a visibilidade do futebol feminino no Brasil. Para ela, o evento pode aproximar o público da modalidade e fortalecer a estrutura para que cada vez mais meninas tenham acesso a oportunidades no esporte.
Sobre o legado para a Bahia, que receberá sete jogos do torneio, a lateral deseja que o evento desperte um olhar mais atento para o futebol feminino local. “Espero que as pessoas passem a olhar com ainda mais carinho para o futebol feminino da Bahia, não apenas durante a Copa, mas também depois”, destaca.
Fortalecimento do futebol feminino baiano e a Copa Loreta Valadares
Para Raissa, o fortalecimento do futebol feminino passa pela realização de competições específicas que garantam espaço para as atletas treinarem, competirem e seguirem seus sonhos. Nesse contexto, a Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia (Sudesb), vinculada à Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), promove a Copa Loreta Valadares, a maior competição estadual de futebol feminino amador e de base da Bahia.
Desde sua criação em 2022, a Copa Loreta Valadares já realizou quatro edições, reunindo 30 equipes nas categorias adulto amador, Sub-15 e Sub-17. O torneio homenageia Loreta Valadares, feminista e ativista política, professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), que faleceu em 2004. A competição tem como objetivo fortalecer o calendário da modalidade e incentivar a renovação das gerações de atletas.
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Perspectiva de especialistas e avanços no futebol feminino
Para Dilma Mendes, baiana eleita três vezes melhor treinadora do mundo e técnica da Seleção Brasileira Feminina de Fut7, a Copa Loreta Valadares representa um avanço significativo para o futebol feminino na Bahia. Ela ressalta que o evento abre espaço para a modalidade, que enfrentou proibições no passado, e reforça a importância de competições estruturadas para o desenvolvimento das atletas.
“A Copa Loreta é um trabalho de muitas vozes e ações assertivas. A Sudesb acreditou nesse sonho, de poder fazer competições com condições, com o mínimo de infraestrutura”, avalia Dilma, que também atua no Instituto Novas Loretas, organização dedicada a fortalecer o futebol feminino e ampliar oportunidades para meninas e mulheres dentro e fora dos campos.
O Governo do Estado, por meio da Sudesb, segue comprometido com políticas públicas que promovem o esporte feminino, reconhecendo seu papel como ferramenta de transformação social. A expectativa é que a Bahia, ao sediar um grande evento mundial, veja um novo olhar e maior valorização para o futebol feminino, que historicamente foi marginalizado no esporte brasileiro.
