O crescimento do polo tecnológico pernambucano
Pernambuco se destaca como um dos principais polos de tecnologia do Brasil, impulsionado pelo ecossistema do Porto Digital e políticas públicas focadas na formação de base. Em 2025, o parque tecnológico local atingiu um faturamento de R$ 7,4 bilhões e hoje reúne mais de 24 mil profissionais distribuídos em 540 empresas. Apesar desse avanço, a retenção de talentos experientes, especialmente profissionais nos níveis pleno e sênior, representa um desafio crescente para o setor. Muitas dessas pessoas são atraídas por oportunidades em outras regiões, especialmente nas regiões Sul e Sudeste, que oferecem salários mais altos e a possibilidade de trabalho remoto.
Formação de mão de obra e os desafios para reter talentos
Laís Xavier, vice-presidente da Aponti, associação importante na área de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) no Nordeste, destaca a qualidade da formação dos jovens pernambucanos. Segundo ela, o destaque do estado na qualificação da mão de obra reflete investimentos em programas como o Embarque Digital, parceria entre a Prefeitura do Recife e o Porto Digital. O programa, lançado em 2021, oferece bolsas integrais para estudantes da rede pública em cursos de tecnologia. Até o momento, conta com 1.580 alunos ativos e 945 profissionais formados.
“Pernambuco tem um dos melhores recursos humanos do país, com profissionais qualificados que atraem grandes empresas para estabelecer centros de inovação no estado”, afirma Laís. No entanto, ela aponta que, após adquirirem experiência, esses profissionais acabam migrando para empresas do Sul e Sudeste, além de multinacionais, que oferecem melhores condições financeiras e flexibilidade para home office.
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“O grande desafio é fazer com que essas empresas locais consigam pagar salários competitivos para manter esses talentos”, completa.
Inclusão e interiorização como pilares estratégicos
A diversidade também é um ponto crítico para o setor tecnológico em Pernambuco. Laís, fundadora do movimento Tech Woman, que busca atrair mulheres para a tecnologia, ressalta as dificuldades que as mulheres enfrentam para assumir cargos de liderança. Segundo ela, o ambiente tecnológico ainda é hostil para o gênero feminino, que precisa se apropriar do conhecimento para ocupar espaços com confiança.
Outro fator estratégico é levar a tecnologia além da capital. Apesar de avanços em polos como Caruaru, no Agreste, e Petrolina, no Sertão, a interiorização da infraestrutura tecnológica ainda precisa acelerar para alcançar outras regiões do estado. A Aponti e o núcleo de gestão do Porto Digital têm implementado programas para expandir o ecossistema, mas isso exige tempo e investimento, especialmente para integrar universidades e criar ambientes formadores de talento.
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Fonte: soudesaoluis.com.br
Estudo estratégico para fortalecer a infraestrutura digital
Para reforçar essa expansão, o governo de Pernambuco lançou recentemente o Estudo Estratégico do Ecossistema de Infraestrutura Digital. O objetivo é mapear desafios e apoiar decisões que aumentem a competitividade e aprimorem a infraestrutura digital no estado. A iniciativa é resultado da colaboração entre as secretarias de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI-PE), Administração (SAD) e Desenvolvimento Econômico (SDEC), em parceria com o Grupo de Líderes Empresariais (LIDE), com um investimento de R$ 1 milhão de empresas como Grupo Cavalcanti Petribu, Estratégica Engenharia e Grupo Dislub Equador.
Mauricélia Montenegro, secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação de Pernambuco, reforça que o estudo, com resultados previstos para janeiro de 2027, será fundamental para orientar a adoção de tecnologias no interior do estado, contribuindo para uma distribuição mais equilibrada do desenvolvimento tecnológico.
