Boicote político atinge festival cultural em Petrolina
O Beira, festival que reúne música, artes visuais e artesanato para fortalecer o cenário criativo no Vale do São Francisco, inicia sua segunda edição entre os dias 30 de outubro e 1º de novembro. Próximo à estreia, as organizadoras receberam uma notícia inesperada: uma patrocinadora que apoiava a sonorização do evento retirou seu patrocínio como retaliação à manifestação pública das produtoras em favor da reeleição de Lula (PT). Na cidade de Petrolina, 67,8% dos eleitores, cerca de 140 mil pessoas, votaram pela continuidade do governo Lula, enquanto 32,2%, ou 66,5 mil eleitores, escolheram Flávio Bolsonaro (PL).
Contexto político e reação cultural
Em meio à derrota eleitoral, setores ligados a Bolsonaro (PL) adotaram uma postura de perseguição, desfinanciamento e demissão contra aqueles que apoiam Lula, com o festival Beira entre os afetados. A artista e produtora cultural Kamaleoa compartilhou em suas redes sociais a mensagem enviada pela ex-patrocinadora: “Estamos cancelando o apoio ao festival por causa do cenário político e pelo resultado das eleições”. Kamaleoa criticou a atitude, lembrando que diferenças políticas não podem sobrepor a humanidade, empatia e respeito.
A produtora comparou esse boicote a episódios históricos de repressão política, como o nazi-fascismo europeu, ressaltando o perigo de normalizar tais ações. “Estamos vendo um movimento sistêmico de perseguição, boicote e demissão de pessoas que votaram em Lula. Não podemos normalizar algo que sabemos onde vai dar. Isso já aconteceu na Alemanha e na Itália [nos anos 1930 e 1940] e sabemos qual é o nome”, afirmou.
Mobilização comunitária para manter o festival vivo
O Beira é conhecido como um festival independente, realizado de forma comunitária e coletiva, com participação de pessoas da região que valorizam a cultura hip hop e a arte urbana. Para superar o desfinanciamento, os organizadores lançaram uma vaquinha online na plataforma Apoia.SE, com meta de R$ 12 mil. Até o momento, já foram arrecadados R$ 10,5 mil, restando apenas R$ 1.500 para atingir o objetivo.
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Fonte: daquibahia.com.br
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Fonte: londrinagora.com.br
As doações podem ser feitas em valores variados: R$ 2 sem premiação, R$ 50 com um pacote de adesivos do festival, R$ 100 com agradecimento na ficha técnica do evento e R$ 300 com nome no mural de honra. Além da vaquinha, foi organizada uma feijoada com bingo para o domingo de encerramento. Pelo valor de R$ 35, o público recebe a refeição e uma cartela para o bingo, com cartelas extras custando R$ 10.
O bingo oferece seis prêmios: uma tatuagem de até R$ 200, uma banda de carne de bode com uma grade de cerveja, kits de camisas e bonés da loja Muralhashop, um quilo de queijo coalho com 500 ml de mel e um voucher de R$ 50 para a Supremus Açaiteria. A atividade acontece domingo, a partir das 11 horas, na praça do residencial Jardim São Paulo.
Programação cultural e legado artístico
O Beira acontece nos bairros João de Deus e Jardim São Paulo, periferia de Petrolina, transformando ruas e praças em galerias de arte urbana. Os murais e grafittis são um legado permanente para a região. Durante os três dias, o público pode acompanhar batalhas de MCs e break dancing, shows musicais, performances artísticas, cortejos da cultura popular, feira de artesanato com artistas locais e oficinas gratuitas de grafitti e desenho.
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Fonte: ctbanews.com.br
Na sexta-feira (30), as oficinas de desenho realista e grafitti acontecem na praça da Juventude do João de Deus, seguidas pela mesa de abertura no Instituto Federal (IF Sertão) com o tema “Resistir na beira: arte, coletividade e caminhos para além das políticas públicas”, com a participação de Graciele Castro, Jackson Vicente, Kamaleoa e Sávia Rodrigues, mediada por Lys Valentim.
No sábado (31), os artistas iniciam a pintura dos murais pela manhã nas praças da Juventude e do Jardim São Paulo. À tarde, batalhas de break e MCs animam o público, acompanhadas pelo DJ Ômega, enquanto a feirinha de artes e artesanato acontece simultaneamente. Performances como “Maria Pitú”, “Incorporo a Proteção”, “Lar de Idades” e “Moreré na Piracema” transformam o espaço público em palco para diversas expressões culturais.
As apresentações musicais do sábado incluem Katarina Laviny e o Sertão Pé Quente, Ramone MC, Thress MC, Baile Adubado, Maripoza e Cabelo de Serpente, que encerra a noite. No domingo (1º), um cortejo reúne grupos como Batuque Mulher, Careta Menina, Morena Morena, Boi Virado e Bacuri. O encerramento traz shows de Coco Barra de Saia, Coco Kaaporã, Batalha de Tag e Samba di Malê.
