Brincadeiras que atravessam gerações
Em três comunidades quilombolas da Chapada Diamantina, a tradição do brincar ganha novo fôlego com a segunda edição do projeto Ciranda Cultural. Agreste e Mocambo da Cachoeira, em Seabra, e Esconscio, em Iraquara, recebem encontros que unem rodas de diálogo, contação de histórias, atividades artísticas e a confecção de artesanatos. A proposta, que inicia no dia 7 em Agreste, busca preservar os saberes e memórias das brincadeiras que guardam histórias, costumes e modos de vida dessas comunidades.
Metodologia participativa e valorização local
Idealizado por Luanna Lima, Fábia Medeiros e a articuladora local Eliana Belo, o projeto aposta na valorização da cultura negra e quilombola por meio do brincar. A construção dos encontros acontece em diálogo com as lideranças locais, respeitando as particularidades de cada comunidade. As cirandas seguem uma metodologia vivencial e participativa, com monitoras conduzindo atividades pautadas no psicodrama e na cultura do brincar, mas cada encontro se molda à identidade única dos grupos.
Além das atividades culturais, o projeto valoriza os sabores locais, convidando as comunidades a prepararem os lanches coletivos para os encontros, com apoio financeiro para a produção. Essa troca reforça o pertencimento e a participação ativa dos moradores.
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Fonte: decaruaru.com.br
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Memórias e preservação cultural
Um dos pilares do Ciranda Cultural é o registro das experiências compartilhadas. Fotografias, vídeos e depoimentos das participantes sobre as brincadeiras da infância alimentam uma cartilha ilustrada que será distribuída nas comunidades, escolas, bibliotecas e centros educacionais. O material também estará disponível para download nas redes sociais do projeto.
Luanna destaca que essa cartilha funciona como um instrumento para manter vivas as memórias coletivas e fortalecer as identidades culturais locais. O registro aproxima crianças e jovens das tradições de seus territórios, mostrando como essas brincadeiras carregam valores, histórias e símbolos essenciais para cada comunidade.
Reflexão sobre infância e tecnologia
Ao mesmo tempo em que resgata a cultura, o projeto provoca uma reflexão sobre as mudanças nas experiências infantis, especialmente diante do avanço das tecnologias no cotidiano. Preservar as brincadeiras tradicionais é também uma forma de defender o brincar livre, espontâneo e criativo, aspectos fundamentais para o desenvolvimento humano, como ressalta a educadora e artista Fábia Medeiros.
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Fonte: noticiadesalvador.com.br
Desde 1995 atuando com crianças, Fábia reforça a importância do brincar para o crescimento e a formação das crianças, trazendo sua experiência para a construção das atividades do Ciranda Cultural.
Agenda e circulação
Com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), via Governo do Estado da Bahia e Secretaria de Cultura, o projeto segue até fevereiro de 2027. Quando será realizado o lançamento da cartilha e de uma exposição fotográfica e de artesanatos em escolas estaduais de Seabra e Iraquara, ampliando a circulação e o acesso às manifestações culturais quilombolas.
