O som que nasce do Sertão e do mar
Formada em Olinda há 22 anos, a Academia da Berlinda carrega em sua trajetória uma forte ligação com a cultura popular pernambucana. Essa relação é o ponto de partida para “Nave Luz”, quinto álbum de estúdio do grupo, lançado recentemente e que se propõe a responder uma pergunta que permeia a cena local: o que faz Pernambuco ser celeiro de tantos artistas interessantes?
Desde a abertura do disco, com a loa de maracatu de Mestre Anderson Miguel em “Ciência”, fica evidente a busca por refletir a riqueza cultural do estado. A água, elemento-chave da região, surge como metáfora para esse território fértil que inspira músicos e mantém viva a tradição. O vocalista Tiné destaca que a volta para o Recife foi decisiva para esse projeto: “Como a gente é de Pernambuco, temos uma vivência muito forte com a cultura popular. Quando a gente voltou para cá, a gente queria um disco que nos representasse bem”.
Ritmos que atravessam fronteiras
O álbum traz uma diversidade de ritmos que atravessam o Nordeste e se misturam com influências caribenhas e africanas. O xote aparece na faixa-título, o frevo em “O Que Depois” e o galope em “Proposta”, compondo uma trama sonora que reforça a identidade regional da banda. Ao mesmo tempo, elementos da dança de salão latino-americana, já presentes em trabalhos anteriores, continuam a dar a assinatura única da Academia da Berlinda.
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Tiné ressalta que a banda evita cair na mesmice e que essa mistura sempre fez parte do DNA do grupo, mesmo quando as cúmbias tinham mais destaque: “Logo no nosso primeiro disco a gente já traz ‘Ciranda Enrustida’, que mescla salsa com ciranda”. A novidade agora está na influência da disco music, especialmente visível no single “Jandaias”, lançado em janeiro, que reforça a postura orgânica da banda, distante das tendências atuais como a música produzida por inteligência artificial.
Convidados que reforçam a pluralidade cultural
O disco também celebra a colaboração artística, como em “Já Vi Fogo”, que traz a participação do recifense IVYSON, reconhecendo a importância das gerações que moldaram a música pernambucana. Outro destaque é a participação da italiana radicada no Chile, Margherita Lavosi, que acrescenta versos em espanhol na balada dançante “Paz no Olhar”, ressaltando a dimensão latino-americana do trabalho.
A capa do álbum, assinada pelo fotógrafo Mateus Sá, reforça essa conexão com a cultura popular ao retratar um brincante em ação durante um festejo, simbolizando a “nave” que a banda carrega consigo, levando essa bagagem cultural para diferentes palcos.
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“Nave Luz” é, assim, uma celebração da diversidade musical nordestina, uma viagem pelos ritmos que atravessam o tempo e o espaço, conectando Pernambuco com o Caribe e a África, e levando o público a vivenciar essa pluralidade sonora tão rica e pulsante.
