Bahia registra aumento no turismo internacional
A Bahia recebeu 123,5 mil turistas internacionais entre janeiro e julho de 2026, um crescimento de 6,1% em relação ao mesmo período de 2025. Esse crescimento coloca o estado na liderança do Nordeste, superando Pernambuco, que registrou 93 mil visitantes, e o Ceará, com 69,5 mil. Os dados foram divulgados pela Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), em parceria com o Ministério do Turismo e a Polícia Federal.
Salvador como ponto central para turistas estrangeiros
Salvador concentra a maioria dos desembarques e funciona como porta de entrada para roteiros em diversas regiões da Bahia. Muitos turistas seguem para a Chapada Diamantina, localizada no centro do estado, ou para o arquipélago de Tinharé, no litoral sul. Esses trajetos combinam viagens terrestres e travessias marítimas, exigindo planejamento prévio sobre horários e conexões.
Felipe Oliveira Pedreira, CEO da Bahia Terra Turismo, destaca que o crescimento no turismo internacional vai além do volume. Segundo ele, há uma diversificação no perfil dos visitantes e nos interesses turísticos. “Salvador está recebendo mais estrangeiros, o que impacta diretamente as agências receptivas, principalmente na procura por roteiros que unem a capital a destinos de natureza e praia no interior da Bahia”, explica.
Experiências de natureza exigem preparo e organização
Entre os roteiros naturais mais buscados está o trekking de três dias no Vale do Pati, dentro do Parque Nacional da Chapada Diamantina. Essa unidade de conservação federal, criada em 1985, abrange mais de 152 mil hectares em seis municípios da Bahia.
Pedreira ressalta que é fundamental esclarecer, desde o planejamento, que o Vale do Pati não é um passeio convencional. “Trata-se de uma caminhada de três dias com duas noites no vale, geralmente hospedando-se nas casas dos moradores locais. Os acessos mais usados são por Guiné, no município de Mucugê, ou por outros pontos, conforme o roteiro escolhido”, detalha.
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O trajeto típico começa com deslocamento até Lençóis ou Palmeiras, bases para a Chapada Diamantina, seguido de transporte até Guiné, de onde parte a caminhada. O percurso inclui pontos como Gerais do Rio Preto, Mirante do Pati e áreas de cachoeira, com distância diária entre 10 e 18 quilômetros e variações de altitude.
Desafios na travessia marítima para Morro de São Paulo
No litoral sul, o acesso a Morro de São Paulo depende exclusivamente de embarcação, pois a vila está em uma ilha sem ligação rodoviária. Consultar os horários do catamarã para Morro é um passo inicial comum para turistas internacionais, principalmente para sincronizar com os voos.
Pedreira explica que, apesar da logística parecer complexa para estrangeiros, o destino é muito procurado por sua proximidade com Salvador. Há saídas diárias da capital, com percurso marítimo de cerca de 64 quilômetros e duração aproximada de duas horas e meia. Os catamarãs partem às 9h e 14h30, com retornos às 11h30 e 15h.
Um cuidado essencial é o intervalo entre a travessia e o embarque aéreo. A empresa responsável recomenda que os turistas deixem pelo menos seis horas entre a saída de Morro de São Paulo e o voo, considerando possíveis mudanças para sistema semi-terrestre em caso de mau tempo.
Boipeba mantém perfil exclusivo com acesso restrito
A vizinha ilha de Boipeba, no mesmo arquipélago, registra movimento menor e não possui ligação rodoviária direta com Salvador. Segundo Pedreira, a dificuldade de acesso é parte da experiência buscada pelos visitantes.
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As opções de chegada incluem uma estrada até a região de Graciosa seguida de lancha, trajetos por Valença ou Morro de São Paulo, e um serviço de lancha rápida direto da capital para a ilha.
Infraestrutura e informação são essenciais para ampliar o turismo
Para que o crescimento das chegadas internacionais alcance destinos além de Salvador, Pedreira aponta três prioridades. A primeira é melhorar a integração entre os modais de transporte, proporcionando conexões mais previsíveis entre aeroporto, rodoviária, transporte terrestre e marítimo.
A segunda envolve a comunicação clara sobre como acessar os destinos, duração das viagens, alternativas em caso de mudanças climáticas, pontos de embarque e procedimentos em cada etapa.
Por fim, a estrutura dos destinos deve ser aprimorada sem descaracterizá-los. Segundo o executivo, locais como Boipeba não necessitam do turismo de massa, e o Vale do Pati não deve se tornar um roteiro convencional, mas ambos precisam de segurança, saneamento, conectividade, sinalização, capacitação e transporte adequado.
Desafio da Bahia: distribuir o crescimento turístico pelo estado
Com a Bahia liderando o Nordeste e Salvador consolidada como porta de entrada, o foco do setor se volta para distribuir o turismo por todo o estado e gerar renda para mais comunidades. “O desafio não é apenas atrair mais turistas, mas garantir que o crescimento beneficie diferentes regiões”, conclui Felipe Oliveira Pedreira.
