CASACOR Bahia 2026: um palco para a diversidade cultural
A CASACOR Bahia 2026 encerrou suas atividades no domingo (6), deixando um legado claro: a potência da união entre diferentes expressões culturais em Salvador (BA). Embora tradicionalmente reconhecida como a maior mostra de arquitetura, design e paisagismo das Américas, a edição deste ano ampliou seus horizontes ao integrar artes visuais, música e moda em sua programação, revelando como essas linguagens se potencializam quando unidas.
Programação musical e sua relevância na mostra
Durante os dois meses da 32ª edição, a CASACOR Bahia se tornou um verdadeiro polo cultural ao promover uma série de eventos que extrapolaram o universo da arquitetura. A diretora da mostra, Magali Santana, destaca que a iniciativa buscou transformar o evento em um espaço vivo de encontro cultural, reconhecendo que o conceito de morar bem vai além do espaço físico. Assim, a arte, a música e a moda foram incorporadas como elementos essenciais que refletem estilo de vida, identidade e expressão local.
Entre as atrações musicais, a mostra reuniu grandes nomes femininos da cena baiana, como Larissa Luz, Illy, Sambaiana e o grupo Amy Reggaehouse, que presta tributo à cantora britânica Amy Winehouse através da idealizadora Clariana. O diferencial é que essas apresentações estavam inclusas no ingresso da mostra, permitindo que os visitantes usufruíssem dos shows enquanto exploravam os 46 ambientes concebidos por arquitetos, designers e paisagistas.
Moda com propósito e valorização do artesanato baiano
A moda marcou presença a partir da loja Meninos Rei, projeto do arquiteto Augusto Senna, e ganhou destaque com o desfile “Saberes que Viram Tendência”. Essa apresentação exibiu 20 peças criadas a partir de processos de formação e mentorias do Programa de Qualificação do Artesanato da Bahia. Entre os parceiros envolvidos estavam Acredite no Seu Axé, liderado por Isa Silva, Mãos de Mãe, Elis Cardim e a própria Meninos Rei.
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Fonte: daquibahia.com.br
Carlos Cruz, diretor criativo do desfile e CEO do Instituto Periferia do Futuro, ressalta que a CASACOR Bahia se destaca ao enxergar a moda como ferramenta de transformação, reforçando sua conexão com a arquitetura. Em edições anteriores, a mostra já homenageou figuras como Preta Gil e Gilberto Gil, e nesta edição dedicou a trilha sonora a Gal Costa. A sustentabilidade e o trabalho manual baiano foram pilares nas matérias-primas e técnicas utilizadas, enquanto a ancestralidade e a representatividade da juventude negra e periférica ganharam espaço no desfile.
Galeria de arte transforma espaços de passagem em locais de permanência
O projeto artístico da mostra também ganhou destaque nos corredores da Casa Nossa Senhora das Mercês, sede da CASACOR Bahia em 2025 e 2026. Cerca de 190 obras de artistas baianos foram expostas com curadoria de Ernesto Bitencourt e Wesley Lemos, parte do programa Panorama da Arte Moderna e Contemporânea Baiana. O objetivo era transformar as áreas de passagem em ambientes de permanência, alinhados ao tema Mente e Coração.
Wesley Lemos explica que, nos últimos três anos, a cultura e a arte vêm sendo usadas como instrumentos de entretenimento, educação e expressão na CASACOR Bahia. Nesta edição, a intenção foi evidenciar os artistas que fundamentaram os pilares modernistas e contemporâneos da Bahia, incluindo nomes como Almandrade, Mario Cravo, Carybé e Genaro de Carvalho.
Um dos momentos mais marcantes da mostra foi a abertura inédita do claustro do antigo convento para a instalação da Galeria Aurelino dos Santos. Esse espaço presta homenagem a um dos grandes mestres das artes visuais e da produção autodidata baiana, falecido no início do ano.
Interseção cultural e diálogo entre linguagens
Ao integrar música, moda, artes visuais e arquitetura, a CASACOR Bahia 2026 reforçou a conexão profunda entre essas expressões e a identidade cultural de Salvador. A mostra não apenas recebeu essas linguagens, mas promoveu um diálogo entre elas, aproximando criadores, públicos e diferentes gerações da produção artística local.
Para Magali Santana, essa união proporcionou uma vivência cultural completa, já que essas vertentes compartilham a capacidade de traduzir comportamentos, emoções e narrativas do tempo presente. Assim, o visitante não se limita a observar os espaços; ele sente e vive a cultura em sua plenitude, em uma experiência que transcende o físico e mergulha na essência da expressão baiana.
