Aplicativo ViraDose combate desinformação sobre vacinação
Alunos do 1º ano da Escola de Referência em Ensino Médio (EREM) Frei Jaboatão, localizada no bairro de Vista Alegre, Jaboatão dos Guararapes, desenvolveram o aplicativo ViraDose. A plataforma usa inteligência artificial para oferecer jogos educativos, checagem de notícias falsas sobre vacinação, informações sobre campanhas e localização de postos de saúde. Sob a orientação do professor Luiz Henrique, o projeto buscou estimular o pensamento crítico dos estudantes diante da desinformação que circula entre os jovens.
“Desde abril, trabalhamos na construção dessa plataforma. A cada aula, os estudantes adicionavam funcionalidades que culminaram nesse resultado. Eles perceberam que muitas pessoas resistem à vacinação por conta das fake news, o que motivou a criação do aplicativo”, explicou o professor em entrevista à coluna Enem e Educação.
Engajamento dos alunos e impacto na percepção sobre vacinação
O projeto integra os itinerários de Linguagens e suas Tecnologias e Ciências da Natureza e suas Tecnologias da escola. Segundo Luiz Henrique, o envolvimento dos alunos foi intenso, e eles desenvolveram uma visão crítica aprimorada sobre as notícias falsas relacionadas à imunização.
“Eles passaram a analisar com mais atenção as informações e a importância da vacinação, graças às estratégias que implementaram no aplicativo e ao protótipo criado”, completou o professor.
O desafio dos estudantes na criação do ViraDose
Arlison Arthur de Assis Santana, 16 anos, inicialmente enxergava dificuldades no desenvolvimento do projeto. Com o suporte da inteligência artificial e pesquisas em fontes oficiais como o Ministério da Saúde, ele e os colegas conseguiram estruturar uma ferramenta que orienta sobre a importância da vacinação e enfrenta a desinformação.
O Brasil concentra 40% do conteúdo antivacina que circula na América Latina e Caribe, segundo estudo do Laboratório de Estudos sobre Desordem Informacional e Políticas Públicas (DesinfoPop/FGV), divulgado em 2025. Esse cenário aumenta a necessidade de soluções que promovam o esclarecimento da população.
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Fonte: amapainforma.com.br
“No aplicativo, há uma aba antifake com perguntas em formato de jogo sobre as fake news. Também é possível tirar dúvidas diretamente na plataforma”, explicou Arlison.
Recursos adicionais e colaboração dos estudantes
Outro destaque do ViraDose é o mapa que indica a localização, horários e funcionamento dos postos de saúde locais. “O usuário pode buscar o posto e obter informações precisas, tornando o aplicativo uma ferramenta valiosa para disseminar dados corretos”, observou Stanley Jordan Geovanny Fernandes da Cruz, 16 anos.
Além deles, participaram do projeto os estudantes Daniel Batista da Silva e Erison Jonata Barbosa de Sena. O aplicativo pode ser acessado pelo link: https://viradose-pe-protege.base44.app/.
Tecnologia para facilitar o acesso ao agendamento em Goiana
Em Goiana, Zona da Mata Norte, duas alunas do 9º ano da Escola Municipal Irmã Marie Armelle Falguiéres, Heloise Milena Barbosa Gonçalves e Lara Sophia Belarmino da Silva, ambas com 15 anos, criaram a plataforma web Agenda Saúde. A ferramenta simplifica o agendamento de consultas e exames na rede pública e permite que os postos comuniquem campanhas e avisos aos usuários.
O projeto está em fase piloto no Posto de Saúde do Barro Vermelho, onde é apresentado a profissionais e testado com usuários. A iniciativa surgiu da percepção das estudantes sobre as dificuldades enfrentadas pela população para marcar consultas presencialmente.
“Muitas pessoas precisam sair de casa muito cedo para enfrentar filas e conseguir uma marcação. Pensamos em como a tecnologia poderia facilitar esse processo”, contou Heloise.
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Fonte: edemossoro.com.br
Desenvolvimento e aprendizado na prática
Lara acrescentou que a ideia foi construída com base nas necessidades reais dos pacientes. “Queríamos criar algo útil, não apenas um projeto escolar. Pensamos no que facilitaria o acesso das pessoas ao serviço de saúde”, afirmou.
Para desenvolver o Agenda Saúde, as estudantes aprenderam linguagens como HTML, CSS, JavaScript e PHP — conteúdos geralmente abordados em etapas posteriores da formação tecnológica.
A inteligência artificial foi utilizada como ferramenta de apoio, auxiliando na construção e melhoria do código. As alunas aprenderam a formular comandos, analisar resultados e corrigir erros para assegurar o funcionamento da aplicação.
Autonomia e experiência educacional
Gabriela Santos e Jonathan Miranda, monitores educacionais do Sistema de Ensino Dulino, acompanharam o desenvolvimento no Laboratório 7.0. Gabriela destacou a autonomia conquistada pelas estudantes, que precisaram pesquisar, testar e refazer etapas para aprimorar a plataforma.
Jonathan ressaltou que a experiência mostrou às alunas que a tecnologia pode estar mais próxima do cotidiano do que imaginam. “Programar envolve identificar problemas, pensar em soluções e construir ferramentas úteis. Ver o resultado funcionando na prática faz com que elas percebam que podem ocupar esse espaço e criar tecnologia”, concluiu.
