Expedição na Península de Kamchatka fortalece monitoramento climático global
Pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV) avançam na construção da maior rede mundial para monitorar o clima, focando na análise do degelo em áreas críticas para as mudanças climáticas. A mais recente expedição ocorre na Península de Kamchatka, extremo leste da Rússia, conhecida por abrigar mais de 300 vulcões, sendo 29 ativos, além de suas paisagens selvagens e invernos rigorosos com fortes nevascas.
O projeto visa criar uma rede global de monitoramento do permafrost — solo permanentemente congelado — que já cobre regiões elevadas do Ártico, da Antártica e da Cordilheira dos Andes. A iniciativa busca ampliar a compreensão sobre os efeitos do aquecimento global e seus impactos no solo congelado, fundamentais para prever o comportamento futuro do clima planetário.
Detalhes da expedição e equipamentos instalados
Desde 22 de julho, os professores Márcio Francelino e Carlos Ernesto Schaefer, junto com o doutorando Alex Pinheiro, participam da missão em parceria com o pesquisador russo Ivan Alekseev, do Instituto Ártico e Antártico. A equipe está instalando sensores de temperatura e umidade no cume de um antigo vulcão, situado a 1.150 metros de altitude na região de Klyuchi.
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Esses dispositivos permitem o monitoramento contínuo do solo congelado para coletar dados essenciais sobre o degelo e suas consequências, como a possível liberação de gases de efeito estufa na atmosfera. A ação reforça a rede de monitoramento pedoclimático da UFV, estendendo sua abrangência para uma das áreas subpolares mais preservadas do mundo.
Experiência acumulada e impacto dos dados coletados
Com mais de 20 anos de atuação, a UFV já instalou mais de 30 postos de monitoramento na Antártica, por meio do Programa Antártico Brasileiro (Proantar), e oito na Cordilheira dos Andes. Esses dados alimentam modelos preditivos do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), fundamentais para traçar cenários futuros do planeta.
Além da instalação dos sensores, a equipe coletou amostras de solos classificados como Andossolo, influenciados pela atividade vulcânica regional. Essas amostras contribuirão para a pesquisa de doutorado de Alex Pinheiro, no Programa de Pós-Graduação em Ciência do Solos e Nutrição de Plantas da UFV, ampliando o entendimento científico sobre o impacto do aquecimento global em ecossistemas frágeis.
