Pressão no vestiário e cobranças de Neymar
Em coletiva nesta terça-feira, o técnico Cuca abordou as cobranças feitas por Neymar aos jovens jogadores do Santos, especialmente a Gabriel Bontempo e João Ananias, durante e após o empate em 2 a 2 contra a Chapecoense. O treinador explicou que, embora haja um ditado no vestiário para que o que acontece ali fique entre os jogadores, situações de tensão podem se estender para fora dele, mas sempre com o objetivo de fortalecer o time. “No vestiário temos um ditado que é sagrado. O que acontece teria que morrer no vestiário, mas aqui não. Começa no vestiário e acaba com vocês no mesmo dia. Daqui a pouco vocês sabem outra aí. Mas é, daqui a pouco. Acontece. Cobrei hoje lá. Nós temos deixado o adversário finalizar tanto, tipo de cobrança também, lógico que sem ofender ninguém. Tem que ter para menino, para velho”, comentou Cuca.
Ele ainda ressaltou que momentos de destempero são naturais, comparando a situação a conflitos familiares, e reforçou a importância de superar essas situações para fortalecer o grupo. “Tem momento em que se está destemperado, não fala algo na tua casa assim? A tua família não leva a ferro e fogo, mas que você é uma boa pessoa. Como Neymar é, como todas as pessoas aqui são. São coisas que acontecem, nem quero entrar em detalhes, nem estava perto, mas é passado. Temos que fazer do limão uma limonada e nos unir mais um pouco”, completou.
Contexto do desempenho e situação no campeonato
Cuca também avaliou o desempenho do time na partida contra a Chapecoense, destacando o alto número de finalizações (25), mas com aproveitamento baixo e dois gols sofridos em casa, o que preocupa o treinador. Ele comentou a dificuldade emocional da equipe após o empate, principalmente por jogar contra uma equipe na lanterna do campeonato. “Começamos o jogo com 4 a 1. Tomamos um gol no finalzinho e aqui. Buscávamos ter um bom rendimento. Quando consegue sequência de bom jogo, para jogar com lanterna do campeonato, tropeço jogando em casa, você perde parte da confiança, o próprio torcedor, a cobrança até diferenciada até razão. Quando se toma um gol, isso dobra o peso, tivemos que nos remontar, passar por cima de uma situação delicada emocionalmente e reverter”, explicou.
O treinador destacou que a equipe perdeu muitas chances claras de gol e que o foco agora é encontrar equilíbrio para evitar que o adversário tenha tantas oportunidades. “Perdemos muitos gols. Remontamos, fizemos o terceiro, o quarto, o gol anulado, bola na trave. Em termos de construção foi ótimo, 25 finalizações, aproveitamento foi pequeno, o que preocupa o treinador mais do que tudo é ter tomado dois gols em casa. Deixar o adversário finalizar o dobro de vezes do que finalizou lá. Essas coisas que saio com ela na cabeça e hoje vou pensar muito, encontrar o equilíbrio”, afirmou.
Preparação para os próximos confrontos da Copa do Brasil
O Santos agora se concentra na definição da vaga para as quartas de final da Copa do Brasil, com jogos marcados para os dias 1 e 4 de agosto contra o Remo, na Vila Belmiro e no Mangueirão, respectivamente. Cuca confirmou que Neymar deve atuar nas duas partidas, ressaltando a importância do planejamento da comissão técnica para manter o time competitivo. “Todo resultado interfere. Estávamos aí por uma vitória no sábado para ter uma sequência de bons jogos e vitórias para dar uma subida na tabela. Não pense que o sábado foi bem dormido, que o domingo foi agradável. Te xingam de tudo se você coloca o pé na areia domingo. Teve trabalho que não teve a vitória. O que é combinado não é caro. Pessoal entende. São planejamentos que a gente tem e vamos cumpri-lo à risca. Conto com ele nos dois jogos”, comentou.
Ajustes táticos e análise do elenco
Sobre o meio-campo, Cuca destacou a evolução do volante Oliva, que vem se firmando na posição, e a busca por um melhor sincronismo na equipe. Ele apontou que, ao jogar com quatro atacantes, o time fica mais ofensivo, mas sujeito a riscos, e que é necessário encontrar um equilíbrio entre postura ofensiva e solidez defensiva. “Tenho variado. Tem momentos do Arão, acho como ele tem que sair. O Oliva está se firmando nessa posição. A gente busca esse sincronismo, vamos encontrar, quem sabe aí que a gente encontre o equilíbrio da equipe. Quando joga com quatro atacantes como jogamos hoje no segundo tempo, eles ficam sobrecarregados, você vai ser muito mais ofensivo, não vai ter tudo. Tem que escolher, ou jogo mais fechadinho e jogo menos risco, em contrapartida o adversário terá menos chance de gol”, explicou.
Além disso, o técnico comentou sobre o planejamento de poupar jogadores, como Neymar e Bontempo, no primeiro tempo do último jogo para que atuassem apenas na segunda etapa, preservando-os para os compromissos seguintes. “Estava tudo combinado. Foi levado à risca o planejamento que tivemos de por os caras para jogarem uma parte, se não ficaria espaçado para o jogo de sábado. Jogaram 45 minutos, no início consegue ver um monte de coisa. A gente analisar também comissão técnica tudo o que vimos de bom”, disse.
Sobre a possibilidade de jogar com Rollheiser, Gabigol e Neymar juntos, Cuca afirmou que é algo a ser trabalhado, mas que ainda estão analisando o melhor equilíbrio para o time. Ele também destacou o desafio de lidar com lesões e a necessidade de ajustar a equipe para conseguir resultados consistentes. “Podem jogar juntos (Rollheiser, Gabigol e Neymar), vamos trabalhar. Não sei se nesse jogo. Jogaram contra San Lorenzo, jogo pesado, bem jogado, poderíamos ver vencido. São situações para analisarmos, dar o equilíbrio, muito tempo desses 22, 23 jogos. Tivemos equilíbrio na grande maioria dos jogos. Perdemos cinco ou quatro jogadores, recuperamos jogadores que são importantíssimos. O trabalho pode ser bem reconduzido, temos que encontrar esse equilíbrio para ter uma equipe confiável, ajustar as linhas, trabalhar com menos risco, é trabalho do treinador isso tudo. Às vezes não vai contentar o grupo, temos que pensar no time. Os quatro jogos, nós fizemos 8 a 3 na UCV, empatamos com a Chape e perdemos do Botafogo. O jogo da Chape que não foi legal, mas muita chance de gol perdida. Se a gente botar o pé na forma e fazer 20% do que criamos, a gente vai vencer os jogos.”, concluiu.
