Índia Morena: Guardiã da Tradição Circense em Pernambuco
Índia Morena, artista circense aos 82 anos, é uma das primeiras personalidades reconhecidas oficialmente como patrimônio cultural vivo em Pernambuco. O estado pioneiro no Brasil instituiu uma legislação que identifica mestres e grupos detentores dos conhecimentos e técnicas essenciais para a preservação da cultura tradicional e popular. Atualmente, 88 personalidades e coletivos pernambucanos fazem parte dessa importante categoria.
A infância de Índia Morena transcorreu entre os manguezais de Recife, onde ajudava a família catando siris e caranguejos. Aos 9 anos, sua vida mudou ao participar de um concurso de calouros durante uma matinê no Circo Democratas, no bairro de Afogados. Mesmo enfrentando vaias, conquistou o público com sua sinceridade e talento, cantando “Coração materno”, de Vicente Celestino, e descobrindo sua paixão pelo circo.
O Início no Picadeiro e a Decisão pela Vida Artística
Um ano depois, aos 10 anos, Índia Morena assistiu a uma apresentação de contorcionismo no Circo Itaquatiara que a inspirou a seguir carreira no picadeiro. Para convencer a mãe a deixá-la viajar com a trupe, fez um gesto simbólico ao convidar a dona do circo para ser sua madrinha de Crisma, o que garantiu sua permissão para partir e iniciar sua trajetória no circo.
Com o passar do tempo, Índia Morena levou seu talento para diversas regiões do Brasil e para países como Estados Unidos, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia. Trabalhou em companhias como Gran Bartolo, Itaquatiara e Edson. Em 1977, após a falência do Circo Edson, adquiriu os bens remanescentes e, junto com o marido Maviael Ribeiro, fundou o Gran Londres Circo, consolidando uma carreira sólida e duradoura.
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Preservação Cultural e Atuação Atual de Índia Morena
Reconhecida como a principal contorcionista de Pernambuco, Índia Morena ampliou sua atuação para o canto e a apresentação de espetáculos, atividades que mantém até hoje. O Gran Londres Circo circulou pela Região Metropolitana de Pernambuco por mais de 40 anos, encerrando suas atividades em 2020 devido à doença da mãe da artista, que a levou a vender a companhia.
Atualmente, Índia Morena dedica-se à organização de um museu sobre sua vida em um espaço anexo à sua casa em Jaboatão dos Guararapes, Recife. Em 1993, ao celebrar 40 anos de carreira, ela e seu marido criaram a Associação dos Proprietários e Artistas Circenses do Estado de Pernambuco (Apacepe), que atua na defesa dos profissionais do circo e na preservação do acervo cultural das trupes.
Reconhecimento Oficial e Contribuições para a Cultura de Pernambuco
O título de patrimônio cultural vivo foi concedido a Índia Morena por meio de edital público e avaliação do conselho da Fundarpe, ligado à Secretaria de Cultura de Pernambuco. A iniciativa reconhece a importância dos mestres no cuidado com os saberes tradicionais, oferecendo bolsas mensais que apoiam suas atividades: R$ 2.479,41 para artistas individuais e R$ 4.958,85 para coletivos.
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Fonte: atividadenews.com.br
Hoje, a maior parte do trabalho de Índia Morena está ligada a essa função, com palestras e oficinas em escolas públicas, além da participação em eventos culturais importantes, como o Festival de Inverno de Garanhuns — do qual foi uma das fundadoras — e o festival Pernambuco Meu País. O museu em preparação será mais um espaço para a valorização da cultura circense pernambucana.
Índia Morena no Cinema: Uma Nova Dimensão Artística
Recentemente, Índia Morena estreou nas telonas como protagonista do filme “Mambembe”, marcando uma nova etapa em sua trajetória. Ela destaca que não é sua primeira experiência no cinema: participou como elenco de apoio em “Auto da Compadecida”, dirigido por Guel Arraes, adaptação da peça de Ariano Suassuna, autor que admira profundamente.
Essa transição do picadeiro para as telas reforça a versatilidade de Índia Morena e sua importância para a cultura pernambucana. Seu envolvimento contínuo com a arte e a preservação dos saberes tradicionais demonstra como a cultura popular pode se renovar e alcançar novos públicos, mantendo viva a memória e a identidade regional.
