Uma História de Inclusão e Acesso ao Conhecimento
O Sistema de Organização Modular de Ensino (Some) é uma modalidade educativa da Secretaria de Estado de Educação do Pará (Seduc) que, ao longo de 46 anos, se consolidou como uma das principais políticas públicas de inclusão educacional no estado. Em uma cerimônia realizada na quarta-feira (15), o Some celebrou mais de quatro décadas de atuação, destacando sua importância no acesso ao ensino médio para estudantes de regiões remotas.
A iniciativa surgiu no final da década de 1970, em um contexto onde o ensino médio era quase inexistente fora das áreas urbanas. Essa realidade impedia alunos de comunidades rurais, ribeirinhas e de difícil acesso de darem continuidade aos seus estudos. Hoje, o sistema é responsável por atender estudantes em 22 Diretorias Regionais de Ensino (DREs) ao redor do Pará.
O professor de História e ex-coordenador do Some, Ribamar de Oliveira, destacou que o programa foi criado em resposta a essa demanda por educação. “O Sistema Modular de Ensino começou em apenas quatro municípios: Curuçá, Igarapé-Açu, Igarapé-Miri e Nova Timboteua, e ao longo dos anos, expandiu-se para se tornar uma política pública reconhecida por lei”, afirmou.
O modelo de ensino foi desenvolvido levando em consideração as particularidades do estado, com um funcionamento modular que permite a atuação itinerante de professores, que se deslocam entre as comunidades para assegurar que todos tenham acesso ao conhecimento. “No início, havia uma escassez de profissionais nas regiões internas, então os educadores saíam de Belém em circuitos. Atualmente, o Some continua a ser essencial, levando educação a comunidades ribeirinhas, indígenas, quilombolas e extrativistas”, acrescentou Ribamar.
Com o passar dos anos, o Some ampliou seu alcance e passou a atender diversas regiões do Pará, essencialmente ajudando a preservar a permanência dos estudantes em suas comunidades de origem. “O Sistema foi crucial para atender às demandas do Pará, especialmente considerando a vasta extensão territorial do estado. Sua contribuição foi decisiva para o desenvolvimento educacional e intelectual da população”, concluiu o professor.
Além do acesso à educação, o sistema se destaca por integrar o aprendizado à vivência das comunidades, promovendo atividades que extrapolam a sala de aula. Essa abordagem tem sido fundamental para fortalecer a conexão dos alunos com sua cultura e ambiente.
Com uma trajetória de mais de 46 anos, o Some é reconhecido como uma política pública genuinamente paraense, que se tornou modelo para outros estados brasileiros e até mesmo para países da América Latina. “São 46 anos de resistência e luta, contribuindo para o desenvolvimento do Pará, com um legado construído dentro das comunidades”, concluiu Ribamar.
Um dos muitos exemplos de sucesso do Some é a história de Geovanna Macedo, natural de Rio Maria e formada em Medicina. Ela destaca a importância do sistema em sua trajetória educacional: “Concluí o ensino médio em um colégio da zona rural do município de Rio Maria. Graças ao Sistema Modular de Ensino, consegui estudar e me formar, já que precisava ajudar em casa e não poderia me deslocar até a cidade para estudar. O Some foi fundamental para isso, pois levava a educação até as zonas rurais, permitindo que eu conseguisse completar meus estudos e hoje posso atender à população do Pará”, relatou Geovanna.
