Um Novo Capítulo na Produção de Sucos
A Timbaúba, parte do conglomerado Queiroz Galvão, comemorou uma década de transformação ao mudar seu foco de produção. Desde a década de 1990, a empresa, localizada em Petrolina (PE), deixou para trás o cultivo de uvas e mangas e investiu na fabricação de sucos integrais naturais. Essa estratégia visou minimizar riscos relacionados às mudanças climáticas e prolongar a durabilidade dos produtos.
O novo modelo industrial trouxe vantagens significativas. A mecanização da produção, que não é viável para frutas in natura, fez com que o custo de produção de frutas para suco fosse reduzido a um terço em comparação ao de frutas in natura. “O valor agregado chega a ser quase cinco vezes maior”, afirmou Sydney Tavares, CEO da Timbaúba, em entrevista ao The AgriBiz.
Crescimento Sustentável e Ambições Futuras
Os resultados dessa mudança têm sido notáveis. Desde 2020, a Timbaúba registrou um crescimento anual superior a 30%, finalizando 2025 com um faturamento de R$ 172 milhões. A empresa se destacou entre as cinco maiores fabricantes de sucos integrais e 100% frutas do Brasil, consolidando sua liderança no mercado nordestino.
Para 2023, a expectativa é de alcançar R$ 210 milhões em receitas, e o objetivo para 2030 é quase dobrar esse número, chegando a R$ 400 milhões. Para isso, a Timbaúba planeja um investimento significativo de cerca de R$ 120 milhões, principalmente em tecnologia. O intuito é aprimorar a produção em sua sede em Petrolina, com um foco crescente no uso de inteligência artificial.
Entre as inovações projetadas, está a adoção do monitoramento de pragas por drones. De forma inovadora, Tavares também almeja mecanizar a poda das uvas, um dos últimos processos que ainda dependem da mão de obra humana.
Explorando Novos Mercados e Oportunidades
A Timbaúba busca expandir sua presença no mercado internacional. Atualmente, a empresa vende seus produtos para cerca de dez países, incluindo Estados Unidos, Canadá, Portugal, Rússia, Japão e China. Cada mercado recebe soluções adaptadas às suas preferências de consumo.
“Estamos expandindo nosso portfólio de exportação, despachando produtos acabados e envasados. Queremos tornar a exportação uma parte mais significativa da nossa receita”, explicou Tavares.
No exterior, a estratégia é direcionar-se ao público “high-end”, utilizando embalagens de vidro. O CEO destacou que o Japão, por exemplo, é um mercado específico que requer atenção e adaptação, levando mais de um ano para que a empresa conseguisse entrar nesse segmento.
Inovações e Variedade no Portfólio
Recentemente, a Timbaúba firmou uma parceria com a Embrapa do Pará para explorar o mercado do açaí, uma superfruta com potencial de apelo nutricional. A ideia é criar um formato inovador de suco de açaí misturado com maçã, visando também o mercado externo.
“Desenvolvemos uma bebida mista de açaí com maçã, uma categoria ainda pouco explorada no Brasil, onde o açaí é mais consumido como sorvete. Entretanto, já estamos presentes no Japão e na China, e não descartamos a produção de açaí congelado no futuro”, comentou o CEO.
No Brasil, o portfólio da Timbaúba inclui sucos de uva e água de coco, com três principais marcas: OQ, JUQ e OQMais+. A OQ é a linha premium, com integridade próxima de 100% de fruta, visando consumidores da classe A e B. A JUQ, que se destaca pela versão “caixinha”, é voltada para o público infantil, contendo de 20% a 50% de fruta. Já a OQMais+ é uma alternativa mais econômica, com tamanhos maiores, ideal para famílias.
Desafios e Estratégias para o Futuro
Em meio a um cenário de restrições no poder de compra, a diversificação do portfólio se tornou uma estratégia essencial para mitigar a queda nas vendas. “Apesar de uma previsão de recuperação em 2026, a categoria 100% integral teve uma queda de 15% em 2024 e 18% em 2025, impactada pela inflação”, afirmou Tavares.
Para atender também classes C e D, a empresa está desenvolvendo uma nova marca, com até 5% de fruta e sem adição de açúcares e conservantes. Além disso, a Timbaúba está explorando novas frentes, como a produção de bebidas isotônicas e chás, ampliando ainda mais seu portfólio.
Atualmente, a Timbaúba cultiva 2.500 hectares de lavouras de uva e coco, com 1.000 hectares irrigados, além de adquirir matérias-primas de terceiros, como laranja e maçã. Essa infraestrutura robusta permitirá à empresa atender à crescente demanda por sucos naturais e continuar sua trajetória de crescimento sustentável.
