Explorando a Nova Dinâmica do Turismo entre Brasil e Portugal
Em 2025, Portugal recebeu notáveis 32,5 milhões de visitantes e contabilizou 82,1 milhões de noites de hospedagem, conforme dados oficiais do governo português. O Brasil se destacou nesse cenário, ocupando a 7ª posição no ranking de países com mais diárias registradas em solo português, totalizando 2,37 milhões. Em termos de hóspedes, a nação brasileira ficou em 6º lugar, com 1,06 milhão de turistas, e 7º em receitas, arrecadando 1.199,5 milhões de euros.
O panorama se torna ainda mais promissor com os dados de 2026, que revelam uma aceleração significativa do mercado brasileiro: entre janeiro e fevereiro, as hospedagens de turistas brasileiros em Portugal cresceram 17,5%, enquanto o número de hóspedes aumentou 15,9%. Além disso, os desembarques tiveram um aumento de 23,7%, com as compras realizadas com cartões bancários subindo impressionantes 39,3%.
No Porto e na região norte de Portugal, a ascensão é ainda mais acentuada. O Brasil já se posiciona como o segundo maior mercado estrangeiro em hospedagens, superado apenas pela Espanha. Essa nova configuração destaca a importância do Fórum Atlântico de Turismo Brasil–Portugal 2026, um evento que ocorreu na última segunda-feira (13) em São Paulo, reunindo autoridades públicas, líderes empresariais e representantes institucionais de ambos os países para debater o presente e as perspectivas futuras dessa relação turística.
O turismo, ao se estabelecer como uma prática frequente, não se limita apenas ao deslocamento de pessoas. Ele se transforma em investimentos, residências secundárias, educação, gastronomia, setores imobiliários, serviços de alto padrão, eventos e cadeias empresariais. O que hoje aparece nas estatísticas como um hóspede pode, em breve, se transformar em aluno, comprador, empreendedor, investidor ou até um morador temporário. O turismo muitas vezes atua como um idioma econômico inicial entre nações que compartilham língua, história e confiança.
É nesse contexto que o Norte de Portugal merece um olhar atento. Historicamente, as relações luso-brasileiras estavam centradas em Lisboa e em um romantismo nostálgico. Contudo, os dados recentes indicam uma nova geografia de interações. Quando o Brasil se posiciona como o segundo maior emissor de turistas para o Porto e o Norte logo no início do ano, observa-se uma redirecionamento da centralidade, sugerindo uma redistribuição da importância regional.
O Norte, portanto, não apenas se estabelece como um destino turístico, mas também se apresenta como uma porta de entrada para uma relação mais produtiva, dinâmica e contemporânea. Parte do futuro da relação entre Brasil e Portugal pode estar se deslocando para regiões que oferecem um equilíbrio entre valor, autenticidade e potencial de crescimento sustentável.
No cenário brasileiro, as cifras são igualmente significativas. Em 2025, Portugal foi o segundo país da Europa que mais enviou turistas ao Brasil, com 273.483 visitantes. Esse dado é indicativo de uma expansão no fluxo europeu e de um aumento na conectividade aérea entre os dois mercados, o que gera uma relação de reciprocidade. E, em termos de relações internacionais, a reciprocidade é um fator essencial: eleva a previsibilidade e fortalece os laços entre as nações.
Aqueles que interpretarem esses números apenas como simples estatísticas do setor hoteleiro correm o risco de perder uma oportunidade valiosa. O que cresce entre Brasil e Portugal é um corredor dinâmico, formado por empresários experientes que desempenham um papel significativo nas economias de ambos os países. Quando esses corredores alcançam uma massa crítica, eles não apenas transportam turistas; eles começam a trazer consigo o futuro, moldando novas oportunidades de negócios e parcerias.
