O Crescimento do Olivoturismo na Serra da Mantiqueira
No Sul de Minas, a produção de azeite tem atraído cada vez mais visitantes, impulsionando o que agora é conhecido como olivoturismo. Essa modalidade de turismo, que se destaca especialmente em áreas rurais, promove um contato mais íntimo com a cultura do azeite e suas paisagens. As atividades incluem visitas a olivais, degustações guiadas e a venda direta de azeites extravirgens, proporcionando aos turistas uma experiência sensorial única.
Na Serra da Mantiqueira, Maria da Fé se destaca como um dos principais polos de produção de azeite no Brasil. A Fazenda Santa Helena, liderada pela produtora Rosana Chiavassa, é um exemplo notável desse crescimento. Recentemente, o azeite Monasto, produzido na fazenda, foi premiado como o melhor do Hemisfério Sul na categoria Produção Limitada – Frutado Verde Médio, durante a 24ª edição do International ExpOliva Awards, na Espanha.
Para Rosana, essa conquista reflete um trabalho meticuloso que vai além da simples produção. “Receber esse reconhecimento internacional foi a coroação de um esforço coletivo”, afirmou, ressaltando a importância da dedicação de sua equipe na colheita e produção. “Nossos funcionários de campo têm um conhecimento essencial que garante a qualidade do nosso azeite.”
Uma Experiência Turística Única
Na Fazenda Santa Helena, o turismo é parte essencial da vivência do local. Os visitantes têm a oportunidade de conhecer o processo de produção do azeite, participar de degustações guiadas e se imergir no ambiente dos olivais. Rosana observa que “o consumidor brasileiro está começando a entender o que é um azeite extravirgem fresco e autêntico, e muitos se surpreendem com a qualidade do nosso produto e o potencial de crescimento no setor.”
A Fazenda oferece ainda diversas atividades de agroturismo, como trilhas na Mata Atlântica e experiências gastronômicas. Também são organizados eventos ao pôr do sol, que combinam a beleza da paisagem com música e produtos locais, incluindo café especial e geleias. “A parceria com a torrefação de café surgiu de uma amizade com pessoas da área de exportação, que ajudaram a integrar nossos produtos”, explica Rosana.
Outro aspecto que Rosana destaca é o conceito de terroir. “Cada azeite reflete a identidade do lugar onde é produzido. Na Mantiqueira, temos um perfil mais suave em comparação com outras regiões do Sul do país, resultando em uma explosão de sabores.” Ela é otimista quanto ao futuro do setor, afirmando que “o azeite brasileiro veio para ficar e cada região terá seu diferencial.”
O Intimismo do Sítio Miralua em Gonçalves
Seguindo para Gonçalves, também na Serra da Mantiqueira, o olivoturismo ganha uma abordagem mais pessoal e autoral no sítio Miralua, onde Harry Grandberg se destaca pela produção em pequena escala, que garante a qualidade e a conexão com o produto. “Acompanhar de perto todas as etapas, desde o cultivo até a extração, é fundamental para a excelência do nosso azeite”, explica Harry.
O azeite do Miralua, que reflete o terroir de altitude da Mantiqueira, apresenta notas sensoriais bem definidas, com um equilíbrio de sabor que combina frutado, amargor e picância. Harry produz dois blends anuais, cada um trazendo não só características sensoriais, mas também uma ligação afetiva. “Nossos azeites têm um propósito: homenagear a família”, conta. Um deles é inspirado em sua mãe, enquanto o outro remete à sua avó, destacando traits de cada uma.
As visitas no Miralua têm um caráter educativo, com o produtor guiando os visitantes por um tour que explica o manejo das oliveiras e o processo produtivo, culminando em degustações orientadas. “Queremos compartilhar todas as nuances dessa experiência com nossos visitantes”, diz Harry. Ele também acrescenta que muitos se surpreendem ao aprender que a azeitona verde e a preta são a mesma fruta, variando apenas em sua maturação.
Reconhecimento e Colaboração na Produção
Com a certificação de Indicação Geográfica (IG), os produtos ganham maior reconhecimento e valorização. O turismo rural na região é integrado com opções de hospedagem em chalés localizados nos olivais, proporcionando imersão total na natureza e na produção. Harry destaca a importância de colaborar com outros produtores locais, buscando sempre qualidade e paixão nos produtos oferecidos. “Embora a pequena escala traga limitações comerciais, ela fortalece a identidade do nosso azeite”, conclui.
