Analisando a Complexa Relação entre a Gestão Política e a Compesa em Petrolina
O nome de Nilo de Souza Coelho é indissociável da história política de Petrolina. Ele foi o primeiro Governador de Pernambuco escolhido pelos militares após o golpe de 1964 e, em 1978, foi eleito Senador da República. Sua trajetória culminou na presidência do Senado Federal e do Congresso Nacional, cargo que ocupou até sua morte em 9 de novembro de 1983. Durante seu governo, três de seus irmãos exerceram a prefeitura de Petrolina: Zé Coelho (1963/1969), Geraldo Coelho (1973/1977) e Augusto Coelho (1983/1988).
Vale ressaltar que, ao longo dos anos, os prefeitos da cidade, mesmo aqueles que não compartilharam o sobrenome Coelho, contaram com o apoio de figuras políticas da família. Exemplos como Simão Durando pai (1969/1973), Diniz Cavalcanti (1977/1983), Odacy Amorim (2006/2008), Julio Lossio (2009/2016) e Simão Durando Filho (2022/2026) mostram que a família Coelho sempre teve uma influência significativa nas administrações locais.
Essa breve análise dos últimos 63 anos da política em Petrolina evidencia que a cidade esteve sob o comando de uma mesma elite política. Curiosamente, todos os prefeitos que assumiram a administração nos últimos anos foram aliados tanto de governos estaduais quanto federais. Tal contexto levanta questionamentos sobre as críticas direcionadas à Compesa, a Companhia Pernambucana de Saneamento, sem uma reflexão sobre os erros do passado.
Embora seja do conhecimento geral que existem problemas no abastecimento de água e no saneamento básico em Petrolina, é inaceitável utilizar a situação de maneira política, como se esses desafios fossem recentes. Vale lembrar que a Compesa foi estabelecida em julho de 1971 e chegou a Petrolina pouco depois, desempenhando um papel importante no emprego e na infraestrutura da cidade. Ao longo de seus 55 anos de atuação na região, a companhia sempre teve apoio político, mas com o passar do tempo, a necessidade de reestruturação e ampliação do sistema de captação de água se tornaram urgentes.
Com o crescimento constante da população, tornou-se evidente que a rede de saneamento básico precisaria alcançar as áreas periféricas da cidade. Durante anos, Petrolina foi governada por prefeitos que mantinham relações próximas com o governador e o presidente da República, e a falta de investimento em infraestrutura para acompanhar a expansão demográfica passou despercebida. Ninguém se preparou para o futuro, ignorando que, na famosa ‘Terra dos Impossíveis’, a população poderia crescer e que o sistema de abastecimento de água, para atender a 100 mil habitantes, precisaria de melhorias significativas.
Atualmente, é comum ver uma série de políticos defendendo a gestão municipal enquanto fazem críticas severas a uma empresa que, apesar de suas falhas, busca cumprir suas funções. No entanto, os problemas enfrentados pela população são, em grande parte, o resultado de decisões políticas que não priorizaram adequadamente as necessidades da cidade. Se a água falta hoje e o saneamento básico não chegou a determinadas ruas, a responsabilidade recai sobre aqueles que, no passado, tiveram a oportunidade de agir, mas não o fizeram.
