Uma Parceria para o Futuro da Agricultura Familiar
A nova iniciativa que visa estruturar a produção agrícola, capacitar agricultores e fortalecer a agricultura familiar nos assentamentos da reforma agrária do Semiárido brasileiro avança com as ações de articulação e planejamento. O projeto, liderado pela Embrapa Semiárido em colaboração com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), foi apresentado em uma reunião realizada no dia 12 de fevereiro, na sede da Embrapa em Petrolina, Pernambuco.
O plano visa atender assentamentos nos municípios de Petrolina (PE), Juazeiro (BA) e São João do Piauí (PI), através de um Termo de Execução Descentralizada (TED) que concede recursos à Embrapa Semiárido pela Secretaria de Agricultura Familiar e Agroecologia (SAF/MDA). O projeto tem como objetivo apoiar três assentamentos escolhidos pelo MDA, com a criação de seis Unidades de Aprendizagem Tecnológica (UATs). A expectativa é capacitar diretamente cerca de 1.200 agricultores familiares, impactando indiretamente cerca de 4 mil produtores.
Encontro de Lideranças e Especialistas
Durante o encontro, as equipes de Transferência de Tecnologia da Embrapa Semiárido se reuniram com lideranças dos assentamentos Marrecas, em São João do Piauí, e Soberania Popular, em Petrolina. Além disso, contaram com a presença de técnicos do Incra e representantes de movimentos sociais, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A colaboração se estende a universidades, organizações não governamentais e entidades ligadas a movimentos sociais.
Reginaldo Alves Paes, chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Semiárido, destacou a importância dessa parceria. “A colaboração com o MDA, o Incra e os movimentos sociais é essencial para assegurar que as tecnologias da Embrapa sejam efetivamente introduzidas nas famílias assentadas, respeitando as especificidades locais e promovendo produção, sustentabilidade e inclusão socioprodutiva”, ressaltou.
Um Marco Histórico para o Incra
Leiliane Duarte, chefe da Divisão de Desenvolvimento de Projetos de Assentamento do Incra, também enfatizou o significado do TED. “Essa proposta será um divisor de águas, permitindo o desenvolvimento de modelos produtivos adaptáveis tanto para áreas irrigadas quanto para zonas de sequeiro, envolvendo todas as famílias assentadas e criando sistemas sustentáveis que podem ser replicados em outras regiões.”
Abordagem Participativa: O Protagonismo dos Agricultores
Um dos principais pilares do projeto é a sua abordagem participativa, que coloca os agricultores assentados no centro do processo. O trabalho começou com a escolha dos assentamentos beneficiados, um esforço conjunto entre o MDA, a Embrapa Semiárido, o Incra e os movimentos sociais. Em seguida, um Diagnóstico Rápido Participativo (DRP) será realizado para mapear as condições socioeconômicas, ambientais e produtivas de cada comunidade, além de identificar suas demandas tecnológicas.
A partir desse diagnóstico, serão desenvolvidos planos de ação específicos, elaborados em colaboração com os agricultores a fim de alinhar as soluções às realidades locais. Giovanni Carlos de Lima, representante do MST no Piauí e assentado em Marrecas, considerou a reunião como uma oportunidade valiosa. “Foi uma grande chance de entender como o projeto será aplicado. Esperamos que as ações comecem na segunda quinzena de março, pois iniciativas como essa são fundamentais para fortalecer nossos sistemas produtivos e melhorar a qualidade de vida das famílias”, disse.
Instalação de Unidades e Capacitação Técnica
Na fase de implementação, o projeto prevê a criação de Unidades Demonstrativas (UDs) e Unidades de Aprendizagem Tecnológica (UATs), que servirão como centros de referência para a adoção de tecnologias sustentáveis. Essas ações englobam sistemas de produção vegetal e animal, manejo da água, conservação do solo e práticas agroecológicas.
As tecnologias que estão sendo planejadas incluem estruturas para captação, armazenamento e reuso de água, como barragens subterrâneas e sistemas de reaproveitamento de águas cinzas. Além disso, o projeto abordará práticas de manejo sustentável da Caatinga, produção de forragens, fruticultura irrigada, olericultura e sistemas agroflorestais.
Ao longo do projeto, serão realizadas capacitações sobre temas técnico-produtivos, organização social, associativismo e comercialização, além de intercâmbios entre assentamentos para promover a troca de experiências e boas práticas. Essa iniciativa promete não apenas desenvolver a agricultura familiar, mas também fomentar um modelo de produção mais sustentável e inclusivo para a região do Semiárido.
