Impactos da Suspensão dos Ônibus
Usuários da linha de ônibus que conecta Petrolina, em Pernambuco, a Juazeiro, na Bahia, estão expressando descontentamento após a interrupção dos serviços, que já dura nove dias. Aqueles que dependem do transporte para ir à escola ou ao trabalho se veem obrigados a recorrer a alternativas mais caras, como transporte por aplicativo, para cumprir seus compromissos diários.
Um dos afetados, o estudante Igor Leonardo, reside no bairro Piranga, em Juazeiro. Diariamente, ele utiliza o ônibus para se deslocar até o IFSertãoPE, localizado no bairro João de Deus, em Petrolina, onde estuda Licenciatura em Química. Contudo, desde 19 de janeiro, sua rotina foi drasticamente alterada. “Depois das minhas aulas, cheguei ao ponto e não pude retornar para casa. Tive que esperar até tarde da noite e, só consegui voltar porque dividi um Uber com meus amigos. Caso contrário, não teria condições de arcar com o custo sozinho”, relatou Igor.
Outro estudante, Maria Clara Cruz, também matriculada no IFSertãoPE e residente em Juazeiro, enfrenta dilemas semelhantes. A falta do ônibus a força a utilizar aplicativos de transporte para não prejudicar sua frequência às aulas. “Ontem, para voltar, gastei R$ 19. Em dias em que sou liberada mais cedo, é preciso pegar um ônibus até Petrolina e, em seguida, outro para o meu bairro. Isso é exaustivo”, afirmou.
Preocupações Financeiras entre os Estudantes
A incerteza em relação à continuidade das aulas está gerando preocupações entre os alunos. Kathleen Torres, outra estudante do IFSertãoPE, comentou sobre o impacto financeiro: “O valor que eu costumava gastar em um mês agora é o que estou usando em uma semana. Tem um limite para essas despesas e não sei quanto tempo conseguirei continuar assim. Em breve, posso ter que atravessar a ponte a pé e pegar ônibus em Petrolina”, desabafou.
Em dezembro de 2023, a empresa Atlântico Transportes anunciou uma parceria com a Joafra, atualmente responsável pela concessão, para operar a linha entre Juazeiro e Petrolina. Essa mudança trouxe um reajuste na tarifa, que agora custa R$ 5.
Nota da ANTT sobre a Situação
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) emitiu uma nota esclarecendo que a linha está regularmente autorizada para operar sob a empresa Joafra. A ANTT ainda esclareceu que a Atlântico Transportes não possui autorização para operar nessa linha e identificou a transferência irregular de operações entre as duas empresas, que ocorreu sem a devida comunicação ou regularização. A agência está tomando as medidas administrativas apropriadas para investigar e responsabilizar os envolvidos na irregularidade.
Até o momento, as empresas Atlântico e Joafra não se pronunciaram sobre a situação apontada pela ANTT.
