Vacinação Inicia em Municípios-Piloto
No último sábado (17), o Ministério da Saúde deu início ao programa de vacinação contra a dengue, utilizando um imunizante 100% nacional, de dose única, criado pelo Instituto Butantan. A estratégia começa nos municípios-piloto de Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), abrangendo a imunização de pessoas entre 15 e 59 anos. O foco dessa iniciativa é avaliar o impacto da vacina na transmissão da doença e coletar dados que suportem a expansão desse programa em todo o Brasil. A partir deste domingo (18), Botucatu (SP) também se junta a essa importante ação.
No evento de lançamento da vacinação em Maranguape, o ministro da Saúde interino, Adriano Massuda, enfatizou os critérios utilizados para a seleção dos municípios. “Estamos desenvolvendo essa ação no Ceará, em Minas Gerais e em São Paulo. Escolhemos cidades com populações entre 100 mil e 200 mil habitantes, que possuem uma infraestrutura de saúde adequada para implementar a vacinação e avaliar seu impacto na comunidade”, declarou.
Importância da Imunização
Durante o anúncio em Nova Lima, Eder Gatti, Diretor do Programa Nacional de Imunizações, salientou a importância dessa vacina para a saúde pública. “Hoje, celebramos um marco! Estamos iniciando a vacinação contra a dengue com um imunizante do Butantan, desenvolvido inteiramente no Brasil. Essa vacina de dose única é a primeira do mundo nesse formato, e sabemos que é extremamente segura e eficaz”, reforçou.
Nos próximos doze meses, especialistas irão monitorar a incidência da dengue nos municípios selecionados, além de acompanhar possíveis eventos adversos raros que possam ocorrer após a vacinação. Essa metodologia já foi utilizada em Botucatu durante a avaliação da vacina contra a Covid-19.
Doses e Público-Alvo
Nesta etapa inicial, serão distribuídas 204,1 mil doses entre os três municípios: 80 mil para Botucatu (SP), 60,1 mil para Maranguape (CE) e 64 mil para Nova Lima (MG). Esse volume é suficiente para realizar a vacinação em massa do público-alvo nessas localidades, representando uma parte das 1,3 milhão de doses produzidas pelo Instituto Butantan.
Além disso, para a faixa etária de 10 a 14 anos, continua a ser disponibilizada a vacina japonesa, que requer duas doses. Inicialmente, estava restrita a 2,1 mil municípios prioritários, mas agora está acessível em todo o Brasil, abrangendo mais de 5 mil cidades. O imunizante do Butantan será destinado a outras faixas etárias, conforme estipulado pela Anvisa.
Ampliação da Vacinação no Sistema Público
Com a expectativa de recebimento de mais doses da vacina Butantan-DV, a imunização de profissionais da Atenção Primária à Saúde está programada para iniciar em fevereiro. Cerca de 1,1 milhão de doses serão destinadas a médicos, enfermeiros e agentes comunitários que atuam diretamente no Sistema Único de Saúde (SUS) assim que esse lote estiver disponível.
A estratégia nacional visa implementar a vacinação do público geral conforme a entrega de novas doses. A colaboração entre o Instituto Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines permitirá uma expansão gradual da vacinação em todo o Brasil, começando pela população de 59 anos e avançando até jovens de 15 anos. A previsão é que a produção aumente em até 30 vezes.
Quem Pode Ser Vacinado?
Nos municípios-piloto, a vacina Butantan-DV será administrada em pessoas de 15 a 59 anos. A aplicação ocorrerá nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e em outros locais estratégicos definidos pelas cidades.
A Butantan-DV é o primeiro imunizante de dose única contra a dengue, proporcionando proteção contra os quatro sorotipos do vírus. Estudos clínicos apontam uma eficácia global de 74%, com 91% de redução nos casos graves e proteção total contra hospitalizações devido à dengue.
Cenário Epidemiológico e Futuro
Em 2024, o Brasil se destacou como o primeiro país a oferecer a vacina contra a dengue no sistema público de saúde. O SUS continua a vacinar crianças e adolescentes de 10 a 14 anos com o imunizante de duas doses atualmente disponível, exclusivamente em UBS.
Dados epidemiológicos apontam que, em 2025, os casos de dengue no Brasil apresentaram uma queda de 74% em relação ao ano anterior. Embora essa redução seja significativa, o Ministério da Saúde reforça a necessidade de manter as ações de combate ao mosquito Aedes aegypti em todo o território nacional. No total, ocorreram 1,7 milhão de casos prováveis da doença, em comparação com 6,5 milhões no ano anterior, e o número de óbitos também caiu para 1,7 mil, uma redução de 72% em relação a 2024.
A principal estratégia de combate à dengue, chikungunya e zika continua sendo a eliminação dos criadouros do mosquito Aedes aegypti. A vacinação complementa as iniciativas de controle vetorial, uso de inseticidas, testes rápidos e a aplicação de tecnologias inovadoras.
