Investimentos em Educação Integral e Desafios na Rede Pública
A secretária estadual de Educação de Goiás, Fátima Gavioli, em entrevista, fez um panorama dos desafios enfrentados pela educação pública no estado e destacou a importância dos investimentos em educação integral programados para 2026. Gavioli comentou sobre a resistência cultural que algumas famílias demonstram em relação ao modelo integral e apresentou as estratégias implementadas para aumentar a permanência dos alunos nas escolas. Entre as iniciativas mencionadas estão a ampliação do Bolsa Estudante, a criação de turmas integrais em escolas regulares e o fortalecimento da iniciação científica.
Além disso, a secretária chamou a atenção para problemas sociais que afetam diretamente o ambiente escolar, como o uso excessivo de celulares, o crescimento dos jogos e apostas online entre estudantes e servidores, e os impactos de crises recentes, incluindo a pandemia, desastres ambientais e episódios de violência. Para Gavioli, a solução para esses desafios exige políticas públicas integradas, incluindo a taxação das apostas, com o intuito de financiar áreas essenciais como educação, saúde e segurança.
O Desempenho da Gestão e os Investimentos Necessários
Ao ser questionada sobre sua gestão, Gavioli refletiu sobre os sete anos à frente da secretaria. Para ela, o primeiro ano foi dedicado à organização financeira e ao pagamento de dívidas, enquanto o segundo focou no atendimento às famílias e alunos durante a pandemia. “A utilização de tecnologias para aulas online foi um grande desafio, e surgiram iniciativas como o Centro de Mídias GoiásTEC, que se mostraram fundamentais”, destacou.
Gavioli também comentou sobre as dificuldades enfrentadas durante o período, como o aumento nos custos de materiais de construção, que dificultaram a realização de obras nas escolas. A secretária enfatizou que, mesmo com as adversidades, as aulas online foram mantidas e a estrutura física das escolas foi melhorada. No entanto, ela reconhece que o ensino remoto não substitui a convivência social nas escolas.
Retorno às Aulas e O Enfrentamento da Violência
Em 2022, o retorno às aulas presenciais foi um momento delicado, marcado por desafios como a resistência de alguns alunos e vigilância em relação a atos de violência nas escolas. Gavioli mencionou a implementação de detectores de metais e políticas que responsabilizam os pais por comportamentos inadequados de seus filhos, o que contribuiu para uma diminuição nos incidentes violentos. “Estamos enfrentando um cenário complexo, mas conseguimos contornar a situação”, afirmou.
Outro ponto importante abordado foi a defasagem na aprendizagem causada pela pandemia, que, segundo ela, está sendo tratada com programas voltados para a recomposição do aprendizado. A criação do material estruturado “Revisa Goiás” é um exemplo de como a secretaria está se organizando para ajudar os alunos a superarem as dificuldades.
A Importância do Apoio Socioemocional
Gavioli destacou que, a partir de 2024, o atendimento socioemocional começará a incluir professores e servidores, reconhecendo a necessidade de apoio psicológico para todos os envolvidos no ambiente escolar. Este tipo de assistência é visto como crucial, especialmente em tempos em que a saúde mental de crianças e adolescentes se tornou uma preocupação crescente.
Medidas contra a Evasão Escolar
A evasão escolar, que aumentou após a pandemia, tem sido uma questão prioritária para a secretaria. Gavioli mencionou a implementação do Bolsa Estudante, uma política que visa combater a evasão através de um incentivo financeiro que vincula a frequência escolar à ajuda financeira. Esse programa já apresentou resultados positivos, contribuindo para a manutenção da matrícula dos alunos nas escolas.
Projetos Futuros e a Educação Integral
Com um olhar para 2026, a secretária visualiza um futuro onde a educação integral será uma realidade mais aceita pela população. Porém, ela reconhece que ainda existe resistência entre as famílias, que muitas vezes preferem que os filhos trabalhem ao invés de permanecerem na escola. Nesse sentido, Gavioli afirmou que o governo está investindo em turmas de educação integral dentro das escolas regulares como uma forma de facilitar essa transição e garantir que os alunos tenham acesso a uma formação de qualidade.
Reflexão sobre a Taxação de Jogos
Por fim, Gavioli enfatizou a urgência de políticas que abordem o crescente problema das apostas e jogos entre jovens, citando a necessidade de taxação e a destinação desses recursos para a saúde e educação. “A questão dos jogos não pode ser ignorada, pois sua influência já está impactando a realidade das escolas”, concluiu.
