Curso Valoriza a cultura como Pilar da Saúde
Entre os dias 27 e 29 de abril de 2026, o projeto Territórios de Cuidado deu sequência ao seu programa formativo com a realização do segundo módulo do Curso Livre de promoção da saúde e Participação Social, no Polo Juazeiro/Petrolina. O evento ocorreu no Centro Cultural João Gilberto, localizado em Juazeiro, na Bahia, e contou com a presença de participantes de diversos municípios da Bahia, Pernambuco e Piauí.
Com o tema “Território, cultura e práticas de promoção à saúde”, essa fase do curso focou na compreensão do território como um espaço dinâmico, onde se entrelaçam dimensões sociais, ambientais, econômicas, culturais e políticas, que afetam diretamente a saúde e a qualidade de vida da população local.
Um dos principais enfoques do módulo foi reconhecer a cultura como um componente essencial para a saúde. Por meio de atividades práticas e discussões em grupo, os participantes foram instigados a refletir sobre suas realidades territoriais, considerando as manifestações culturais, memórias e estilos de vida que os cercam.
De acordo com Caio Meneses, educador popular e poeta, a cultura desempenha um papel estruturante na maneira como as comunidades se veem, se organizam e cuidam de suas vidas. “A cultura tem uma influência significativa, pois provoca reflexões sobre a construção da identidade e do modo de vida, o que está intimamente ligado ao fortalecimento do território e à saúde”, enfatiza Meneses.
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O educador também destacou que o aprendizado ao longo do módulo permitiu uma análise mais profunda dos territórios, abordando tanto o resgate histórico das expressões culturais quanto os desafios contemporâneos para sua preservação. “De um lado, observamos o que já foi construído; por outro, surgem desafios, como a invasão cultural promovida pelo agronegócio, que impõe novos estilos de vida e desestabiliza práticas locais. Paralelamente, percebemos uma busca por diálogo entre diferentes gerações”, comenta.
A discussão foi apoiada em casos concretos, como o território do Pajeú, onde a poesia é um elemento central da identidade local. A partir desse exemplo, cada participante foi convidado a examinar a sua própria realidade. O resultado foi notável, com a identificação de mais de 50 manifestações culturais nos territórios dos participantes, evidenciando a resistência cultural mesmo diante de pressões externas.
“Isso demonstra que a cultura é uma forma de resistência dos territórios, e essa resistência está diretamente conectada à saúde. Cultivar a cultura permite que as pessoas acessem suas dimensões de cuidado e saúde”, conclui Meneses.
A experiência do módulo teve um impacto direto nos envolvidos, especialmente no que diz respeito ao reconhecimento da diversidade cultural e na ampliação da percepção sobre os territórios. Almice, uma das participantes de Sobradinho (BA), ressaltou que o encontro proporcionou um contato profundo com diferentes modos de vida. “Participar desse segundo módulo foi uma chance incrível de conhecer outras culturas e vivências. Percebemos a vastidão cultural dentro do nosso território e como as pessoas interagem com o meio ambiente e a natureza”, relata.
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Para Almice, os aprendizados adquiridos são fundamentais para uma convivência mais integrada com o território. “Essa é uma experiência que levamos para a vida. Ela se reflete nos espaços que frequentamos, seja em redes de mulheres, associações, sindicatos ou comunidades rurais. São lições que nos acompanham sempre”, completa.
Jackson Vicente, um educando de Petrolina (PE), sintetiza uma das principais lições do curso: “O curso Territórios de Cuidado me ensinou que saúde e cultura são indissociáveis. A cultura abriga formas de cuidado e métodos que provêm das tradições locais e da fé nas comunidades”.
Ele também manifestou seu compromisso em aplicar os conhecimentos adquiridos na prática. “Levo comigo a determinação de expandir esses ensinamentos em meu território, de ouvir mais a comunidade, valorizar os saberes locais e fortalecer as formas de cuidado já existentes”, afirma.
Articulação para a Promoção da Saúde
A formação promove a compreensão de que a saúde transcende o mero acesso a serviços, relacionando-se diretamente com as maneiras de viver, produzir e se organizar nos territórios. Essa iniciativa é conduzida pelo Programa de Promoção à Saúde, Ambiente e Trabalho (Psat) da Fiocruz Brasília, em colaboração com o Ministério da Saúde, e reúne representantes de movimentos sociais, profissionais de saúde e conselhos de direitos.
A proposta se baseia na construção coletiva de estratégias de cuidado, valorizando saberes populares e conhecimentos técnicos, além de empoderar as comunidades na defesa de seus direitos e na participação em políticas públicas.
Durante os três módulos da formação, busca-se identificar, fortalecer e dar visibilidade às práticas de promoção da saúde presentes nos territórios, contribuindo para enfrentar as desigualdades e construir soluções coletivas fundamentadas na realidade das comunidades.
