Uma Jornada de Superação e Autodescoberta
Em 2012, a vida de um empresário estava em uma espiral descendente. Dependente de medicamentos para dormir e até mesmo para acordar, ele se via preso a um ciclo de estresse e desgaste emocional. ‘Tomava uns comprimidos azuis que estavam na moda entre os executivos, além de outro para controlar o colesterol. Era uma loucura’, revela. Essa situação, segundo ele, é um reflexo de um clichê conhecido: deixar a saúde ser sequestrada pelo trabalho e pelo ambiente ao redor, mesmo gostando do que faz. O empresário, que era sócio de uma empresa de tecnologia, enfrentou o diagnóstico de burnout em um período em que a condição ainda não era amplamente reconhecida.
O desencadeador de sua transformação foi um desmaio chocante no trânsito. ‘Hoje, olhando para trás, percebo que fui muito sortudo. O médico que me atendeu era pai de uma amiga da minha filha e foi ele quem me diagnosticou com a Síndrome de Burnout’, conta. Antes desse evento, ele já lidava com crises de ansiedade e taquicardia, parando em farmácias a cada quinze dias para medir a pressão, acreditando que havia algo errado com sua saúde.
Momentos de crise, como AVCs ou infartos, normalmente trazem mudanças profundas na vida das pessoas. ‘Quem não muda é porque está em um processo de autodestruição que requer ajuda profissional’, afirma. A maioria, no entanto, opta por mudar hábitos, como parar de fumar ou beber. ‘É como pedalar uma bicicleta e, ao perceber que vai colidir, você desvia e muda de direção.’ Essa é a hora de buscar novamente a sensação de viver plenamente.
Entre 2012 e 2013, o empresário teve a sorte de não ser bombardeado por estímulos das redes sociais, como ocorre hoje em dia. ‘Naquela época, minha atuação digital foi bastante limitada, e isso foi crucial para minha recuperação’, ressalta. Ele acredita que a dificuldade atual em retomar o controle da vida está diretamente relacionada à sobrecarga de informações e estímulos das redes sociais e da inteligência artificial.
A Reestruturação da Saúde e a Conexão com a Natureza
A primeira atitude do empresário foi se afastar do mundo digital. Logo depois, encontrou amigos que o incentivaram a se conectar com a natureza. ‘Eles sugeriram que eu fosse para os Himalaias, onde está o Annapurna e o Campo Base do Everest. Era hora de me jogar!’, conta, empolgado. Durante os primeiros meses dessa nova fase de vida, ele passou três meses sem açúcar e refrigerantes, o que, segundo ele, não só transformou seu corpo, mas também sua percepção sensorial. ‘A mudança foi tão significativa que comecei a perceber cheiros de forma completamente diferente’, lembra.
Sua experiência rendeu um livro intitulado “Escalando Sonhos: O que senti no topo do mundo” (Ed. Vestígio), onde compartilha sua jornada de superação de maneira franca e direta, sem romantizar os desafios. ‘O que passei não foi fácil, mas é importante mostrar que é possível encontrar um caminho para a recuperação’, destaca.
Escalar montanhas, para ele, é mais do que uma atividade física; é uma forma de se reconectar com a vida e com si mesmo. A cada cume conquistado, o empresário reencontra não só a saúde física, mas também a mental, redescobrindo a alegria de viver.
