Bahia Avança no Turismo Sustentável
A Bahia se consolida como um destino de destaque para o turismo sustentável no Brasil, especialmente com a crescente popularidade do turismo de observação de aves. Esta iniciativa, lançada em abril de 2026, faz parte da Estratégia Turística Bahia 4.0, coordenada pela Secretaria de Turismo do Estado (Setur-BA). O programa articula ações para a estruturação de roteiros, capacitação de profissionais, promoção internacional e parcerias com entidades voltadas à conservação ambiental.
Nos últimos anos, o estado tem se tornado referência nacional ao criar o primeiro roteiro integrado de observação de aves no país, alinhando-se a uma tendência global em ascensão. Essa atividade atrai tanto turistas nacionais quanto internacionais que buscam experiências sustentáveis, unindo lazer, ciência e conservação ambiental.
De acordo com Maurício Bacelar, secretário de Turismo da Bahia, a sustentabilidade é o eixo central das políticas públicas. Ele ressalta que a qualificação de profissionais e empreendedores tem sido ampliada em regiões com potencial para o turismo sustentável, visando à melhoria no atendimento aos visitantes e à conscientização sobre a importância da preservação.
Nos últimos anos, o avanço do setor tem sido significativo. O ambientalista Aliomar Almeida, do Projeto Jardins da Arara de Lear, em Canudos, destaca que o fluxo de turistas dobrou. O projeto já recebeu visitantes de mais de 40 países, atraídos pela possibilidade de observar a arara-azul-de-lear, uma das espécies mais procuradas por observadores e fotógrafos.
Biodiversidade como Atração Turística
A Bahia é privilegiada em sua biodiversidade, abrigando três importantes biomas: Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica. Essa diversidade ecológica favorece a presença de espécies raras, transformando o estado em um dos principais destinos para observação da fauna no Brasil.
Dentre as espécies emblemáticas, destaca-se a harpia, ou gavião-real, que é considerada a maior ave de rapina das Américas. A Bahia abriga um dos últimos refúgios reprodutivos dessa espécie, especialmente nas áreas da Costa do Cacau e da Costa do Descobrimento. Aureo Banhos, coordenador do Projeto Harpia Mata Atlântica, informa que locais preservados, como a Serra Bonita, em Camacã, já oferecem estrutura para o turismo de observação, atraindo visitantes internacionais.
O turismo sustentável na Bahia também abrange a vida marinha. A tartaruga-de-pente, que está ameaçada de extinção, é uma das principais atrações na Costa dos Coqueiros. O Projeto Tamar é fundamental na conservação dessa espécie em municípios como Lauro de Freitas, Camaçari e Mata de São João.
Práticas de Turismo Responsável
A consolidação do turismo sustentável na Bahia também depende da adoção de práticas responsáveis pelos visitantes. No que se refere às tartarugas marinhas, a recomendação é observar sem tocar, evitando qualquer interferência no habitat natural. Sandra Tavares, analista ambiental do Projeto Tamar, enfatiza que o turismo deve ser controlado para não perturbar as espécies, uma abordagem crucial para a manutenção da biodiversidade e continuidade das atividades turísticas.
Além disso, o perfil do turista que busca experiências sustentáveis tende a ser mais consciente e engajado. O pesquisador Osmar Borges, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), observa que esse público contribui efetivamente para a conservação ambiental, seja por meio de doações ou pelo apoio a projetos locais.
Integração entre Turismo, Economia e Conservação
O turismo sustentável se apresenta como uma ferramenta vital para o desenvolvimento econômico local. Ao gerar renda nas comunidades, essa prática fomenta a valorização dos territórios e a preservação de áreas ecológicas. A integração entre políticas públicas, iniciativas privadas e projetos ambientais tem sido fundamental para o avanço do setor. A Estratégia Bahia 4.0 visa consolidar esse modelo, promovendo a diversificação da oferta turística e aumentando a competitividade do estado em níveis nacional e internacional.
O crescimento desse segmento destaca a importância de investimentos contínuos em infraestrutura, capacitação e monitoramento ambiental, buscando equilibrar o aumento do fluxo turístico com a preservação dos ecossistemas.
