Um Encontro de Culturas e Arte
Em celebração aos 40 anos do Paço Imperial como centro cultural, uma nova exposição reúne obras de mais de cem artistas, criando um espaço de diálogo e inclusão. Claudia, uma das curadoras, enfatiza que a proposta não é seguir uma cronologia rígida, mas sim promover uma mistura que espelha a própria essência do local. ‘O Paço se tornou um verdadeiro ponto de encontro, onde convivem artistas, estudantes de arte e um público diversificado’, destaca. O ambiente eclético é evidenciado pela interação entre diferentes conceitos e experiências, desde a presença de um curador internacional até o pipoqueiro que passa pelo local e admira as exposições. ‘É um respiro no Centro da cidade’, completa.
A programação da exposição também inclui eventos interativos, como um debate que ocorre neste sábado, às 15h, reunindo curadores e ex-diretores do Paço, como Paulo Sérgio Duarte e Lauro Cavalcanti, atual responsável pela Casa Roberto Marinho. Além disso, será apresentada uma série de vídeos produzidos pela Rio Arte, destacando artistas renomados como Amilcar de Castro, Anna Maria Maiolino e Antonio Manuel. ‘Esse projeto não apenas celebra o Paço, mas também a ideia de um centro cultural que tem dado certo’, afirma Reinaldim, um dos curadores. Ele ressalta que essa trajetória cultural se expandiu com o surgimento de outras instituições, como o CCBB e os museus da Praça Mauá, mostrando a importância do uso de bens tombados para a revitalização do Centro da cidade.
Novas Produções e Reflexões
Durante a montagem da exposição, o artista Luiz Aquila, de 83 anos, apresentou obras recentes que desenvolveu após uma viagem ao México. Ele já expôs individualmente no Paço em várias ocasiões, mas decidiu levar para esta coletiva trabalhos inéditos. ‘Inicialmente, pensei em trazer obras simbólicas que marcaram minha trajetória, mas fiquei tão empolgado com as novas criações que optei por apresentá-las’, relata o artista. Ele ressalta que o Paço é um espaço privilegiado para expor, devido à possibilidade de criar diferentes configurações nas salas, permitindo que a arte ocupe o espaço de forma inovadora.
Outro artista destacado na exposição é Luiz Pizarro, professor da Escola de Artes Visuais (EAV) do Parque Lage, que também possui uma vasta experiência no Paço. Pizarro trouxe obras criadas na década de 1990, com impressões em parafina. Para ele, o Paço representa um ambiente acolhedor e acessível, que atrai um público jovem, além de turistas e pessoas que estão apenas passando. ‘É um espaço gratuito que recebe todos, tornando-se uma grande praça de arte ligada à Praça Quinze’, comenta.
Conexões com a História e a Identidade Cultural
Embora algumas exposições individuais não estivessem inicialmente programadas como parte da coletiva ‘Constelações’, elas foram inauguradas na mesma data, integrando-se às comemorações dos 40 anos do Paço. A mineira Niura Bellavinha apresenta ‘Toró’, com curadoria de Marcus Lontra, Rafael Peixoto e Viviane Matesco, que ocupa duas salas do Paço com obras criadas a partir de pigmentos naturais, interagindo com a história do local. Já a intervenção de Marcelo Silveira na fachada do Paço, com tinta vermelha, provoca reflexões sobre a condenação de Tiradentes e as marcas da mineração na história brasileira.
‘A minha intervenção se relaciona com a história da Conjuração Mineira e o impacto da derrama, que ampliou a taxação sobre o ouro’, explica Niura. Ela busca estabelecer diálogos entre suas obras e os espaços que as acolhem, planejando expandir essa prática para prédios históricos em outras cidades. Por sua vez, Silveira utiliza madeiras de móveis antigos descartados para criar obras que questionam as normas estabelecidas sobre o uso de materiais, chamando-as de ‘madeira sem lei’. ‘Essa caligrafia suspensa no ar reflete sobre a legislação do Império e o que era permitido usar’, conclui.
