Um Legado Cultural em Comemoração
Na quarta-feira, dia 4, Brasília foi o cenário de uma celebração marcante para a cultura nacional. Em homenagem aos 50 anos da Fundação Nacional das Artes (Funarte), o evento intitulado “Memória e Futuro da Dança Brasileira: políticas públicas que atravessam o tempo” reuniu artistas, gestores e autoridades no Teatro Nacional Claudio Santoro. O objetivo foi celebrar a história da instituição e reafirmar seu papel vital na promoção das políticas artísticas no Brasil.
Entre os presentes estavam a ministra da Cultura, Margareth Menezes; a presidenta da Funarte, Maria Marighella; e o secretário-executivo do Ministério da Cultura, Márcio Tavares, além de representantes do Governo do Distrito Federal e membros da classe artística.
Durante seu discurso, a ministra enfatizou o momento transformador vivenciado pelo setor cultural e relacionou o cinquentenário da Funarte ao avanço das políticas culturais em todo o Brasil. “Estamos promovendo uma ampliação das políticas culturais, e a Funarte está renascendo nesse contexto”, declarou.
Margareth também mencionou o fortalecimento das diversas linguagens artísticas dentro da Funarte, que conta agora com diretorias específicas para dança, música, teatro e circo, como parte de um processo de renovação institucional. “O trabalho realizado por Maria Marighella e sua equipe é um presente, representando um renascimento da Funarte”, celebrou.
Encerrando sua fala, a ministra expressou seus votos de longevidade à instituição. “Que a Funarte continue presente em nossas vidas por mais cinquenta anos e mais”, afirmou.
Reconhecimento e Luta pela Cultura
No evento, Maria Marighella realçou a importância do cinquentenário da Funarte, destacando que a instituição foi criada 10 anos antes do Ministério da Cultura. “Temos 50 anos de uma instituição que nasceu durante a ditadura militar, expressando o desejo de artistas e intelectuais pela abertura democrática”, lembrou.
A presidenta da Funarte destacou a importância da instituição no fomento às artes brasileiras. Segundo ela, cerca de 70% dos projetos que utilizam a Lei Rouanet passam pelo Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac) da Funarte. “É fundamental que a Funarte continue a apoiar a diversidade cultural do Brasil”, afirmou.
Maria também relembraram programas históricos da Funarte, como o Projeto Pixinguinha, e mencionou os equipamentos culturais associados à Fundação, incluindo os teatros Dulcina, Glauce e Cacilda Becker, além da Escola Nacional de Circo.
Um dos anúncios mais aguardados foi a previsão de reabertura do Centro de Documentação da Funarte, que se tornará o Centro Nacional da Memória das Artes do Brasil, reforçando o compromisso da instituição com a preservação da rica história cultural do país.
Uma Noite de Celebração e Reflexão
A programação do evento começou às 19 horas, com uma abertura institucional e a exibição de um vídeo comemorativo dos 50 anos da Funarte. Também discursaram o diretor do Centro de Dança da Funarte, Rui Moreira, e o secretário de Estado de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal, Claudio Abrantes.
Após a solenidade, o público teve a oportunidade de assistir ao espetáculo “A Escultura”, de Yara de Cunto, uma renomada mestra das artes, reconhecida pelo Prêmio Funarte Mestras e Mestres das Artes, ao lado de Giselle Rodrigues e sob a direção de Adriano Guimarães.
Ao completar meio século de existência, a Funarte reafirma seu compromisso como a casa das artes brasileiras, celebrando o passado e projetando um futuro vibrante, enquanto fortalece as políticas que garantem o acesso à arte em todo o Brasil.
Programação em Manaus: Memória e Teatro
Antes do evento na capital federal, a celebração dos 50 anos da Funarte também movimentou a cena cultural em Manaus. No dia 28, o Centro Cultural Palácio da Justiça foi palco do encontro intitulado “Grupos, Memória e Acervos do Teatro Brasileiro”, que reuniu artistas, pesquisadores e representantes de coletivos teatrais de várias partes do país.
O encontro, que contou com a presença de Maria Marighella e de autoridades locais, incluiu a palestra “Criação de memória, territórios, memórias presentes e ausentes”, apresentada por Márcio Braz, seguida de uma roda de conversa sobre a preservação da memória do teatro brasileiro.
Artistas de grupos reconhecidos, como o Bando de Teatro Olodum (BA) e o Grupo Galpão (MG), participaram do debate junto a representantes de companhias amazonenses. O dia também marcou o lançamento do livro “Por um Museu de Memórias da Cena”, focado na preservação da história do teatro brasileiro.
Para encerrar as atividades, o Teatro Amazonas recebeu o espetáculo “Sebastião”, do Grupo Ateliê 23, com entrada gratuita, permitindo que o público local desfrutasse dessa rica programação cultural.
