Como a caatinga virou região vinícola?
No coração do semiárido de Pernambuco, onde a caatinga se encontra com o Rio São Francisco, está Petrolina, uma cidade que desafiou o clima e se destacou na produção de vinhos. Desde a década de 1960, quando sistemas de irrigação foram implementados, as margens do Velho Chico se transformaram em áreas produtivas. Na década de 1980, as primeiras vinícolas começaram a surgir, e, atualmente, a região é famosa por seus espumantes premiados.
O clima tropical semiárido, com forte incidência de sol e chuvas concentradas entre novembro e abril, possibilita que as videiras produzam uvas durante o ano todo. Em novembro de 2022, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu ao Vale do São Francisco a Indicação de Procedência para vinhos finos e espumantes, tornando-se a primeira Indicação Geográfica (IG) de vinhos tropicais do mundo, conforme informações da Embrapa Uva e Vinho. Enquanto vinhos de outras regiões brasileiras costumam ter uma única colheita por ano, o Vale frequentemente colhe duas, ou até duas e meia.
Quais vinícolas visitar a partir de Petrolina?
Petrolina serve como base para explorar as vinícolas da região, que estão distribuídas entre municípios vizinhos. Os passeios geralmente incluem transporte, degustação de vinhos e almoço com gastronomia local. Algumas experiências ainda oferecem passeios de catamarã pelo São Francisco, seguidos de visitas às adegas.
A Vinícola Terranova, pertencente ao Grupo Miolo e localizada em Casa Nova (BA), proporciona o passeio chamado Vapor do Vinho, que combina navegação pelo Lago de Sobradinho com almoço e degustação de espumantes a bordo. Já a Vinícola Rio Sol, da Global Wines, em Lagoa Grande (PE), oferece uma experiência que inclui a colheita de uvas, um tour pela adega e um agradável passeio de catamarã com degustação à beira do rio.
Outra opção é a Adega Bianchetti, também em Lagoa Grande (PE), que foca na produção orgânica, destacando as uvas Barbera e Tempranillo, com visitas agendadas diretamente com a enóloga. Para quem aprecia vinhos tintos, a Vinícola Garziera/Terroir do São Francisco, em Lagoa Grande, é especializada em Cabernet Sauvignon de vinhas velhas, enquanto a Botticelli, situada em Santa Maria da Boa Vista (PE), dispõe de 40 hectares de vinhedos e espumantes moscatéis.
O que fazer em Petrolina além das vinícolas?
Os encantos de Petrolina vão além de suas vinícolas. A cidade possui diversas atrações que prometem entreter os visitantes por dois a três dias. O Rio São Francisco é um destaque, tanto na orla da cidade quanto em passeios de barco. O pôr do sol sobre as águas do Velho Chico é um espetáculo à parte, que não pode ser perdido.
A orla de Petrolina conta com um calçadão que se estende ao longo do rio, proporcionando uma vista deslumbrante para Juazeiro e para a Ponte Presidente Dutra, que possui 800 metros de extensão e foi inaugurada em 1954. Para uma vista ainda mais incrível do pôr do sol, a Ilha do Fogo, uma ilha fluvial acessível a pé, é uma parada obrigatória.
O Museu do Sertão, que abriga um acervo com mais de 3 mil itens, oferece uma imersão no cotidiano sertanejo. Já a Oficina do Artesão Mestre Quincas é uma cooperativa que reúne 25 artesãos que produzem carrancas em madeira, cerâmica, bordados e rendas. Não deixe de visitar a Catedral Sagrado Coração de Jesus, uma das construções mais fotografadas da cidade, com sua arquitetura neogótica impressionante.
O que comer no sertão do São Francisco?
A gastronomia de Petrolina é rica e variada. O Bodódromo, um centro gastronômico ao ar livre na Avenida São Francisco, conta com oito restaurantes e 23 quiosques especializados em pratos à base de carne de bode e carneiro, sempre acompanhados de baião de dois e macaxeira. À noite, forró ao vivo anima o ambiente, tornando a experiência ainda mais autêntica.
Os restaurantes à beira do rio oferecem peixes como piau e tilápia, além de moquecas e pratos com camarões. O Balneário de Pedrinhas se destaca pela concentração de 13 estabelecimentos à beira do São Francisco. Para a sobremesa, a mousse de umbu é uma verdadeira iguaria que não pode faltar. Petrolina também é responsável por 62% da produção de uva de mesa e 61% da manga consumidas no país, ingredientes que estão presentes em sucos, doces e acompanhamentos por toda a região.
Quando ir a Petrolina e qual o melhor período?
A cidade conta com um clima semiárido que garante sol quase o ano inteiro, e as chuvas costumam ocorrer entre novembro e abril, geralmente de forma rápida. O São João, que acontece em junho, é uma das festas mais populares e esperadas da região.
Como chegar à capital do vinho tropical?
O Aeroporto Senador Nilo Coelho recebe voos diretos de São Paulo, Recife e Salvador. Para quem opta por viajar por terra, Petrolina está a 712 km do Recife pela BR-232 e a 500 km de Salvador pela BR-324/BR-407. A travessia para Juazeiro (BA) é feita pela Ponte Presidente Dutra em poucos minutos.
Brinde ao sertão que surpreende
Petrolina subverte as expectativas. Onde muitos veem apenas um deserto, a cidade é um oásis de desenvolvimento, com vinhedos, pomares e uma cena gastronômica que já conquistou um selo de procedência e espumantes premiados. A cidade demonstra que o sertão é muito mais do que se imagina. Venha, cruze a ponte, brinde com um espumante gelado nas margens do Velho Chico e descubra o sabor de uma região que transformou sol e água em vinho.
