Ministro do STF Aponta Concentração de Poder em Petrolina
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal (PF) a investigar um alegado esquema de fraude financeira em Petrolina, estado de Pernambuco. Em sua decisão, ele mencionou o “poder familiar” dos Coelho, uma influência bem estabelecida na região, que envolve contratos no âmbito da administração pública e a suspeita de desvio de recursos. A operação, que aconteceu em 25 de fevereiro, resultou no cumprimento de 42 mandados de busca e apreensão, abrangendo figuras proeminentes como o ex-senador Fernando Bezerra e seu filho, o deputado federal Fernando Coelho Filho (União-PE), além de outros membros da família que ocupam cargos públicos.
Entre os aspectos destacados por Dino, está a notável concentração de poder familiar, que se reflete no controle da prefeitura local e na influência exercida junto à Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba). O ministro elencou ainda o direcionamento de recursos federais por meio de emendas e a contratação de empresas ligadas a parentes dos Coelho. Segundo ele, a família do deputado estaria coordenando uma rede de contratos com a prefeitura de Petrolina, visando benefícios financeiros em detrimento do interesse público.
“Constatou-se que o núcleo político liderado pelos Coelho utilizava sua posição de controle na unidade regional da empresa pública federal e na Prefeitura de Petrolina para direcionar recursos públicos, tanto por meio de termos de execução descentralizada quanto por emendas parlamentares. Esses recursos eram enviados a uma empresa ligadas a pessoas com vínculos familiares, que firmou um número expressivo de contratos com o poder público, revelando claros indícios de favorecimento e desvio de valores”, destacou Dino em sua decisão.
Investigações Revelam Transferências Significativas
O magistrado destacou que as investigações estão revelando transferências que ultrapassam R$ 50 milhões para a Codevasf, fruto de indicações do deputado Fernando Coelho e do ex-senador Fernando Bezerra. Além disso, Dino apontou que a Liga Engenharia se destacou como a principal beneficiária de contratos de pavimentação em Petrolina. Essa empresa já obteve mais de R$ 100 milhões em contratos, tendo um atendimento exclusivo ao município.
Curiosamente, a Liga Engenharia possui no seu quadro de funcionários Pedro Garcez de Souza, que é cunhado de Carlos Alberto Coelho Oliveira Neto, primo dos políticos Miguel e Fernando Coelho, sendo o primeiro ex-prefeito de Petrolina e o segundo deputado federal. Esse entrelaçamento familiar levanta ainda mais suspeitas sobre a natureza dos contratos estabelecidos entre a empresa e a administração pública.
Desdobramentos da Operação Vassalos
A Operação Vassalos, deflagrada pela Polícia Federal, é um desdobramento significativo na investigação de um esquema amplo de desvio de recursos públicos, com foco em emendas parlamentares e fraudes em processos licitatórios. Os alvos, além dos mencionados Coelho, incluem o atual prefeito de Petrolina, Simão Amorim Durando Filho, e outros políticos locais.
As investigações estão voltadas para uma gama de crimes, que vão desde a frustração do caráter competitivo das licitações, passando por fraude em contratos administrativos, até crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Este cenário coloca em xeque não apenas a integridade da administração pública em Petrolina, mas também ressalta a necessidade de um olhar crítico e atento sobre as práticas políticas e administrativas na região.
