PF Aponta Empresa com Crescimento Explosivo em Contratos Públicos
A Polícia Federal (PF) está investigando um esquema de desvio de emendas parlamentares em Pernambuco, onde uma empresa de engenharia se destacou ao receber a impressionante quantia de R$ 190 milhões. De acordo com as informações apuradas, a Liga Engenharia foi favorecida com 158 empenhos, totalizando R$ 190.532.712,72. Deste montante, R$ 189.894.762,94 foram liquidados, enquanto R$ 189.753.377,95 já foram efetivamente pagos.
Segundo a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), apenas em 2024 a Prefeitura de Petrolina e a Autarquia Municipal de Mobilidade de Petrolina empenharam e liquidaram a soma de R$ 59.872.865,64 em favor da Liga Engenharia, com pagamentos que chegaram a R$ 59.768.124,42. Esses dados estão disponíveis no portal Tome Contas, vinculado ao Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco.
O ministro Flávio Dino mencionou em sua decisão o fenômeno da rápida ascensão da preferência municipal por essa única empresa ao longo dos anos. Em 2017, a Liga Engenharia ocupava a 27ª posição entre as empresas que mais receberam recursos do município, com um total de R$ 1.309.598,83. No ano seguinte, em 2018, a empresa já se destacava como a 10ª maior destinatária, recebendo R$ 7.342.447,54.
O crescimento continuou a se intensificar: em 2019, a Liga Engenharia subiu para a 5ª posição, recebendo R$ 15.342.456,82 em empenhos, dos quais R$ 14.753.342,91 foram liquidados e pagos. Com esse crescimento constante e expressivo, em 2024, a Liga se tornou a principal fornecedora do município de Petrolina, com valores de empenho totalizando R$ 55.131.318,63 e pagamentos de R$ 55.026.577,41.
Pedro Garcez de Souza, proprietário da Liga Engenharia, foi alvo da operação Vassalos, realizada na última quarta-feira (25), assim como a sede da empresa em Salvador, conforme decisão do STF. A PF também cumpriu mandados de busca e apreensão relacionados a figuras proeminentes, incluindo o ex-senador Fernando Bezerra Coelho, o deputado federal Fernando Coelho Filho (União-PE) e o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (União-PE), todos da mesma família.
Esse desdobramento das investigações levanta questões sobre a transparência e a gestão dos recursos públicos em Pernambuco. Especialistas alertam para a necessidade de rigorosas auditorias e fiscalização, para que casos semelhantes não voltem a ocorrer. Com tantos recursos envolvidos e nomes conhecidos na política local, a atenção da sociedade se volta agora para o andamento das investigações e possíveis responsabilizações.
