Rupturas e Alianças: A Ascensão dos Bezerra Coelho
A família Bezerra Coelho, alvo recente de uma operação da Polícia Federal, é um dos grupos políticos mais influentes de Petrolina, cidade que se destaca no interior de Pernambuco. Ao longo das últimas décadas, esse clã conseguiu consolidar seu poder na região e expandir sua atuação para o cenário nacional, participando de diferentes administrações federais.
Fernando Bezerra Coelho (MDB), o patriarca da família, começou sua trajetória política no Executivo estadual, atuando como secretário no governo de Eduardo Campos, entre 2007 e 2010. Em 2011, foi indicado para o cargo de Ministro da Integração Nacional no governo de Dilma Rousseff (PT), onde liderou projetos significativos, incluindo as obras da transposição do rio São Francisco, que se estenderam até 2013.
Entretanto, a relação da família com o PT sofreu uma reviravolta em 2014, quando, após o rompimento entre PSB e PT, Fernando Bezerra decidiu deixar o ministério para apoiar a candidatura presidencial de Eduardo Campos. Esse movimento marcou o início de uma nova fase para o clã, que tomou um rumo mais alinhado à direita política, culminando na votação a favor do impeachment de Dilma em 2016. Com a ascensão de Michel Temer (MDB), Bezerra Coelho se tornou líder do governo no Senado, onde se destacou na articulação de pautas importantes, como a reforma trabalhista.
Durante o governo Jair Bolsonaro (PL), Fernando Bezerra reassumiu a liderança do governo no Senado entre 2019 e 2021, intensificando sua atuação na região Nordeste. Em 2020, ele destinou R$ 175 milhões em emendas para a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) em Petrolina. Essas destinações, porém, estão sob investigação, levantando suspeitas de direcionamento em licitações e a possibilidade de pagamentos indevidos.
A ascensão dos Bezerra Coelho também se reflete em outras esferas do governo. Fernando Coelho Filho (União Brasil), filho de Fernando Bezerra, atuou como ministro de Minas e Energia entre 2016 e 2018, e Miguel Coelho (União), também da família, foi eleito prefeito de Petrolina em 2016, reeleito em 2020 e deixou o cargo em 2022 para concorrer ao governo estadual, onde ficou em terceiro lugar na disputa.
Após deixar o Senado em 2023, Fernando Bezerra tem se concentrado na reorganização política do clã, mirando as eleições de 2026. A estratégia inclui a reeleição de Fernando Coelho Filho para a Câmara dos Deputados e a candidatura de Miguel Coelho ao Senado.
Apesar das movimentações, Miguel, que é o atual presidente do União Brasil em Pernambuco, ainda não decidiu qual aliança política irá formar para a próxima eleição. Segundo fontes próximas, é provável que ele busque uma aproximação com o PSB, dada a insatisfação com a gestão atual do estado e as conversas em andamento com o grupo do prefeito do Recife, João Campos.
